DIDA SAMPAIO|ESTADÃO
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Grupo majoritário do PT diz que Cunha e 'ala mais reacionária' do PMDB flertam com impeachment

Corrente da qual Lula faz parte propõe resolução que faz aceno à militância do partido, ao mesmo tempo que tenta ganhar tempo e evita defender afastamento de presidente da Câmara

Vera Rosa, Ricardo Galhardo e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2015 | 11h19

Brasília - Proposta de resolução política preparada pela ala majoritária do PT diz que a “ala mais reacionária do PMDB, capitaneada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ),  flerta com o impeachment da presidente Dilma Rousseff e se aliou ao PSDB, DEM e PPS para impor uma agenda de “contrarreformas” no Congresso. O texto, obtido pelo Estado, será submetido hoje ao crivo do Diretório Nacional do PT e ainda poderá receber emendas. 

A crítica a Cunha é um aceno da cúpula do partido à base petista, que ao mesmo tempo tenta ganhar tempo ao postergar o posicionamento da sigla sobre a permanência do peemedebista no comando da Câmara dizendo que o deputado não deve ser “prejulgado”.

“Depois de conquistada a presidência da Casa, o parlamentar rapidamente pactuou com o bloco PSDB-DEM-PPS e assumiu a liderança de uma agenda para contrarreformas, além de flertar com o impeachment presidencial”, diz a proposta de resolução, redigida sob orientação do presidente do PT, Rui Falcão.

Lula. O documento também defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao dizer que ele é alvo de uma “escalada contra conquistas de bosso povo e devem ser rechaçados”. “O combate a estas incursões de ódio, intolerância e mentira, nas ruas e nas instituições, é componente essencial da resistência ao golpismo e ao retrocesso”, afirma o texto.

Além de acusar a suposta tentativa de desgastar Lula, a proposta da direção petista acusa o “aparato policial e judiciário” de tentar desestabilizar o governo de Dilma e deslegitimar o PT. "O Diretório Nacional igualmente conclama toda a militância petista e todos os democratas a defenderem o legado e o papel histórico do ex-presidente Lula, transformado em alvo prioritário de armações que se multiplicam em núcleos da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário vinculados a operações supostamente anticorrupção".

Levy. O texto poupa o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mas critica a política econômica do governo, os cortes nos gastos sociais e investimentos públicos e aponta a orientação da economia como motivo de desconexão do PT com suas bases sociais, empecilho para mobilizações e uma das causas da fragilidade do governo nas ruas.

“Tensões e divisões nas fileiras populares, provocadas principalmente pela rejeição ao ajuste fiscal e a composição de um ministério com maior peso das agremiações de centro, também contribuíram para excitar movimentos golpistas e fragilizar a capacidade de resposta do campo progressista”, diz o documento. A ala majoritária do PT propõe mudanças na política econômica e recuperação das contas do governo por meio da recriação da CPMF e da "tributação sobre a renda, a riqueza e a propriedade dos extratos mais abastados da sociedade", ao mesmo tempo que "o governo reduza seus gastos financeiros, através do rebaixamento paulatino da taxa de juros”.

O documento propõe "apoio à consolidação de uma aliança orgânica dos movimentos sociais, partidos progressistas e defensores da democracia, atualmente encarnada na Frente Brasil Popular ", iniciativa que conta com respaldo de Lula e aliados, como o ex-ministro Roberto Amaral (PSB) e o ex-governador gaúcho Tarso Genro (PT)

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