Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Dilma critica gravação de conversas de presidentes

Em discurso na PUC-SP, ex-presidente defende eleições diretas como único recurso para retomada da estabilização do País

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2017 | 20h39

A ex-presidente cassada Dilma Rousseff (PT) chegou por volta das 19h  no teatro Tuca, na PUC-SP, em São Paulo. Ela foi uma das convidadas do 3.º Salão do Livro Político para participar de uma palestra sobre Estado de exceção. Em discurso, Dilma defendeu as eleições diretas como único recurso para a estabilização do País e criticou gravações de conversas de presidentes.

Na chegada ao evento, Dilma foi questionada sobre o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que irá analisar a cassação da chapa Dilma-Temer amanhã a partir desta terça-feira, 6. Ela se limitou a responder: "Aguardemos a Justiça ". Sobre uma possível afastamento  de Temer ela também respondeu: "aguardemos a Justiça". Ainda questionada sobre os próprios direitos políticos, que podem ser cassados na sessão do TSE, ela voltou a dizer: "aguardemos a Justiça". Ao ser perguntada sobre como estaria a vida, Dilma respondeu: "Difícil para todo mundo". 

Já no palco, Dilma foi aplaudida pelos presentes. Gritos de "fora, Temer" e "volta, Dilma" puderam ser ouvidos na plateia do Tuca. A reitora da PUC-SP, Maria Amalia Pie Abib Andery, chegou a brincar, dizendo que iria "quebrar o protocolo e beijar a presidenta". Uma "fã" pediu licença para oferecer rosas a ex-presidente. Dilma respondeu: "quem não aceitaria flores tão bonitas?". Na plateia, um rapaz respondeu: "o Doria", em referência ao dia em que o prefeito de São Paulo atirou ao chão flores oferecidas por uma cicloativista.

Em um dos pontos principais de seu discurso, Dilma enfatizou: "Só as eleições diretas podem devolver a estabilidade ao País. Não existe estabilidade sem legitimidade. Não pode ser a decisão de um pequeno grupo. A legitimidade só virá através do voto popular". A ex-presidente completou: "Não é questão de defender candidato A, B ou C. É uma questão de defender a própria democracia ".

Gravação. Dilma falou sobre as gravações que atingiram Aécio e o presidente Michel Temer. Em relação ao senador afastado, ela declarou que o áudio mostra "a leviandade, a falta de princípios e de valores de alguém que contestou o resultado de uma eleição para encher o saco". Ela completa: "É impensável uma cultura política que desrespeita o resultado de uma eleição na tentativa de encher o saco" (a referência é ao áudio em que Aécio diz ter entrado com representação no TSE apenas para "encher o saco do PT").

Ainda sobre as gravações, Dilma contestou o direito de se gravar ligações de um presidente da República. Ela lembrou do caso em que foi gravada em conversas com o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, mas também fez questão de ressaltar que não é favorável à gravação de nenhum presidente, nem de Michel Temer. "Tinha autorização para gravá-lo? Eu não sei. Se eles o colocaram lá, eles que o respeitem", disse. "Não podemos aceitar nenhum ato de exceção contra quem quer que seja, nem contratos nossos adversários".

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.