Agronegócio é filhote de capital e proprietários, diz Stédile

Coordenador do MST discursa no 5º Congresso Nacional do movimento, em Brasília

Agência Brasil,

13 Junho 2007 | 16h03

O terceiro dia do 5º Congresso Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Brasília, foi marcado pelo debate em torno do agronegócio e seu impacto na vida dos pequenos produtores e dos sem-terra. João Pedro Stédile, um dos coordenadores nacionais do MST, definiu o agronegócio como "filhote" da união entre o capital financeiro e os grandes proprietários de terra, favorecida pelo Estado, que lhe dá estabilidade. "Antigamente, o capital para a agricultura vinha da própria agricultura. Hoje vem das grandes instituições financeiras, que podem comprar grandes porções de terra e instituir uma determinada monocultura", disse. Stédile afirmou que dentro desse modelo, só há três espaços para o agricultor familiar: a favela, "quando é expulso para as grandes cidades", a aposentadoria rural e os "agrocombustíveis", "para os camponeses um pouco mais ricos que se insiram nesse modelo". O biocombustível é uma das principais apostas do governo federal. Para José Bezerra, integrante da coordenação nacional do movimento, o principal objetivo da abordagem desse tema é mostrar para a sociedade as contradições e os conflitos por que passam o pequeno agricultor atualmente. "É um desafio e é importante pensar o papel da reforma agrária nesse quadro, para que possamos propor para o conjunto da sociedade que a reforma agrária tem uma importância estrutural para o país, e não somente para os sem-terra", disse. Reforma Como exemplo de alternativa às plantações extensivas do agronegócio, ele citou as experiências das agrovilas, espaços integrados em que o modo de produção se baseia na policultura e na melhor integração entre homem e natureza. "Queremos uma reforma agrária não só para o MST, mas que também atenda aos interesses da sociedade, e que possamos efetivamente pensar em um projeto que não agrida a natureza. As agrovilas são exemplos de espaços de integração cultural, de convívio familiar, onde esgotos e formas de moradia podem ser planejados. Questionado sobre grupos de assentados no estado de São Paulo que começam a plantar eucalipto para a produção de carvão - atividade que esgota o solo e prejudica a biodiversidade, segundo críticos -, Bezerra justificou que essas pessoas enfrentam dificuldade para obter crédito e assistência adequada. E acrescentou que o MST não vai proibir colônias de assentados de fazerem suas escolhas. Congresso O encontro reúne cerca de 18 mil dirigentes do MST, e é realizado num ginásio de Brasília, transformado em um grande acampamento. O primeiro dia de discussões foi marcado pelo caráter "combativo" do movimento, por palavras de ordem em favor dos processos "revolucionários" em Cuba e na Venezuela, e por fortes críticas à "paralisação da reforma agrária" no governo Lula.

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