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Aécio tenta evitar isolamento em defesa da CPI da Petrobrás

Elizabeth Lopes e Pedro Venceslau - O Estado de S. Paulo

22 Março 2014 | 13h 26

Senador tenta convencer tucanos divergentes a mudarem de opinião sobre investigação da refinaria de Pasadena

Campos do Jordão - Depois do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do ex-governador José Serra, neste sábado foi a vez do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), se manifestar contra a articulação do senador Aécio Neves, provável candidato do PSDB à Presidência, para criar uma CPI para investigar a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobrás. "Se houver uma boa investigação não precisa de CPI", disse Alckmin. "Sou favorável a que se faça uma investigação pela Polícia Federal (PF) e por órgãos corregedores", completou.

Poucos minutos depois de dar essa declaração durante a inauguração de uma distribuidora de tratamento de esgoto em Campos do Jordão, Alckmin teve um encontro reservado com Aécio na cidade. O senador está tentando convencer os tucanos divergentes a mudar de opinião e defender a CPI. A compra da refinaria, feita com aval da presidente Dilma Rousseff, é investigada pelo Ministério Público Federal, pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Contas da União por suspeitas de superfaturamento e evasão de divisas.

 Na semana passada, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi o primeiro a censurar a iniciativa do senador mineiro. "Acho que o momento eleitoral não é o mais propício. Não sou favorável a partidarizar", declarou FHC, após ministrar palestra para novos alunos da universidade Estácio, no Rio de Janeiro, no último dia 20. O ex-governador José Serra foi na mesma linha. Em passagem por Campos de Jordão, onde participou do Congresso Estadual dos Municípios de São Paulo, ele disse acreditar que, em ano eleitoral, pode ser "complicado" instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito. "Eu acho que, se houver uma boa investigação do Ministério Público, já é satisfatório", disse Serra.

Questionado sobre o isolamento de sua posição no partido, Aécio afirmou que a defesa da abertura da CPI tem o apoio "majoritário" do partido e que FHC teria mudado de ideia. "Conversei com o presidente Fernando Henrique. Na verdade ele apoia também essa decisão (de abrir a CPI). O ex-presidente está absolutamente afinado conosco." Ainda segundo o senador, que também é presidente nacional do PSDB, na próxima terça-feira haverá uma reunião com todas as lideranças de oposição no Congresso para tratar do assunto. Aécio afirma que buscará parte das assinaturas na base de apoio da presidente.

Para a abertura da CPI, são necessárias 27 assinaturas no Senado e 171 na Câmara. Aécio classificou como "covarde" a decisão do Conselho de Administração da Petrobrás de demitir Nestor Cerveró, diretor financeiro BR Distribuidora. Cerveró comandava a área internacional da estatal petrolífera brasileira em 2006 e foi o responsável pelo "resumo técnico" usado por Dilma Rousseff naquele ano para apoiar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). "A simples decisão de afastamento é covarde. Nem sabemos se foi a presidente quem decidiu isso. Ela precisa vir a público dizer que errou. As pessoas erram", afirmou Aécio.