Aécio rechaça antecipação da escolha do presidenciável do PSDB

Para o senador eleito por Minas, partido tem de 'trabalhar para continuar a ser a principal alternativa' ao governo do PT

Gustavo Uribe, da Agência Estado,

06 Dezembro 2010 | 18h57

SÃO PAULO - O ex-governador de Minas Gerais e senador eleito Aécio Neves afirmou nesta segunda-feira, 6, ser contra uma antecipação da escolha do candidato do PSDB à sucessão presidencial em 2014, e defendeu, no lugar dessa discussão, um trabalho de refundação da sigla. Após gravação de entrevista ao "Roda Viva", programa da TV Cultura, o tucano avaliou como um "desserviço" apontar um nome no momento atual, quando o necessário, segundo ele, é construir um "novo PSDB".

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"Acho que não temos de antecipar nada. Temos de trabalhar para continuar a ser a principal alternativa para esse modelo que está aí", disse o ex-governador. "Escolher um nome agora é um desserviço a esse projeto. Eu acho que todos temos de trabalhar com muito desprendimento, construirmos um novo PSDB, de cara nova, revigorado".

De acordo com o tucano, o desafio do PSDB é manter-se como "alternativa de poder". "Por isso insisti em falarmos muito da questão da sustentabilidade, do nosso novo programa. Temos um espaço enorme pela frente", afirmou.

O ex-governador garantiu que não é candidato à presidência do PSDB e, questionado, disse que o nome do atual titular do posto, senador Sérgio Guerra (PE), é uma alternativa viável. Questionado sobre o nome do ex-governador paulista José Serra para a posição, o tucano disse não ter veto a ninguém. "Tenho entusiasmo enorme em dar a minha contribuição, e meu primeiro gesto é este: eu não postulo nada. Eu vou ser senador, ajudando a reconstruir (o partido) e conversando com todo mundo que queira conversar comigo", disse.

Alckmin. Mais cedo, em almoço com o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, Aécio já havia ressaltado que não pretende disputar cargos na direção do PSDB nem buscará liderar a oposição no Congresso Nacional. "Eu não serei um líder. A oposição terá vários líderes. Não postulo nenhum cargo, seja na direção partidária, seja no Congresso Nacional neste primeiro momento", afirmou. "Eu quero ser um instrumento de construção de uma agenda nova para o Brasil".

O tucano negou, após o almoço, que o PSDB fará uma oposição mais branda ao governo federal. "Olha, nos deram uma missão de sermos oposição ao atual governo. E vamos exercer essa oposição de forma firme, mas qualificada", afirmou.

Já na sede da TV Cultura, o senador eleito confirmou que amanhã terá um encontro com o governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). "O papel do Congresso é exatamente esse, é o parlamento, é para parlamentar. Eu vou parlamentar com o PSB e com qualquer outra força política que esteja com a disposição de conversar conosco", afirmou. Ainda que o PSB tenha apoiado em âmbito federal a candidata do PT, Dilma Rousseff, a sigla endossou a candidatura à reeleição em Minas Gerais de Antônio Anastasia, do PSDB.

No "Roda Viva", Aécio voltou a defender a reformulação do programa partidário do PSDB e propôs a criação de um núcleo de inteligência tucano que atualize a direção partidária com informações sobre a legenda e sobre a conjuntura política. Aécio salientou que a sigla deve buscar novos aliados, entre eles os movimentos sindicais.

O tucano descartou a possibilidade de tentar presidir o Senado Federal, lembrando que a oposição não detém maioria naquela casa legislativa. Perguntado sobre sua relação com Alckmin, Aécio disse que o governador eleito por São Paulo é uma das alternativas do PSDB no futuro.

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