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Aécio muda estratégia de atuação política em relação ao governo

- Atualizado: 16 Fevereiro 2016 | 03h 00

Principal líder da oposição, senador tucano pretende adotar linha mais propositiva; mudança não foi bem recebida por outros partidos oposicionistas na Câmara

BRASÍLIA - O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), decidiu rever sua estratégia de atuação política no Congresso e adotará este ano uma linha mais propositiva em relação a 2015, quando se empenhou durante praticamente o ano inteiro no afastamento da presidente Dilma Rousseff. O tucano apresentará ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), uma agenda mínima de votações de interesse do partido na Casa.

Ainda assim, Aécio avaliza a ação de oposicionistas da Câmara de tentar desgastar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com cobranças por explicações e uma eventual convocação do petista para a CPI do Carf. E, por tabela, reacender o debate sobre a retirada de Dilma, conforme revelou o Estado nesta segunda-feira, 15. A avaliação de aliados do tucano é de que o enfraquecimento de Lula o favorece num possível confronto direto numa disputa presidencial antecipada ou em 2018.

A mudança de atuação do tucano, o maior representante da oposição no Legislativo, decorre de uma série de avaliações feitas por aliados e assessores próximos. Desde o segundo semestre do ano passado, pesquisas mostraram uma queda das intenções de voto em Aécio em simulações de corrida presidencial e ainda um aumento de rejeição.

Levantamentos qualitativos internos identificaram Aécio como um senador que não propunha saídas para superar a crise. As sondagens também mostraram uma corrosão na imagem do PSDB pelo apoio às pautas-bomba. Uma delas foi o aval maciço da legenda à tentativa de derrubar, em setembro, o fator previdenciário, regra de aposentadoria instituída no governo Fernando Henrique, em 1999, para diminuir o déficit da Previdência Social.

Na inauguração da nova fase, o presidente do PSDB vai propor nesta terça-feira, 16, a Renan, em reunião de líderes partidários, ao menos quatro propostas consideradas prioritárias pelo PSDB para a pauta do Senado: 1) o projeto do senador José Serra (PSDB-SP) que desobriga a Petrobrás de ser a operadora única na exploração da camada do pré-sal; 2) um que cria regras de governança em estatais, relatado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE); 3) um de autoria do senador Paulo Bauer (PSDB-SC), relatado pelo próprio Aécio, que visa a diminuir a influência política na gestão dos fundos de pensão; e 4) uma proposta do senador que restringe a quantidade de cargos em comissão na administração pública, estabelecendo processo seletivo.

Outras iniciativas legislativas e propositivas lideradas por ele estão em discussão na cúpula partidária. Em março, o partido realizará um seminário em que deve apresentar propostas de aperfeiçoamento de programas sociais da gestão petista.

Incômodo. A nova estratégia de atuação do PSDB na Câmara não foi bem recebida por outros partidos da oposição na Casa. Demonstrando incômodo, líderes oposicionistas criticaram ontem a sinalização que tucanos vêm dando ao governo de apoio a reformas estruturantes, como a da Previdência Social.

"O governo do PT não merece qualquer condescendência, porque eles imaginam a economia de uma forma completamente distinta do que são os fundamentos da economia", reagiu o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM). "Não vamos concordar com qualquer proposta de arrocho à população por parte desse governo", emendou. O democrata conta que só soube da nova estratégia do PSDB por meio da imprensa. Irritado, ele decidiu procurar os líderes do PSDB, PPS e Solidariedade e propor uma reunião nesta terça-feira, para discutir o assunto. "Não quero fazer discurso de bom moço, porque o PT, o Lula e a Dilma não são bons moços", disse.

Presidente do Solidariedade, o deputado Paulo Peireira da Silva (SP) também criticou a estratégia do PSDB. "É um erro falar que vai apoiar reformas que tiram direito do trabalhador, principalmente a da Previdência", criticou Paulinho, que é presidente da Força Sindical. "Com essa postura, não tem como trabalharmos juntos", afirmou.

No PPS, o tom foi mais moderado. O vice-líder da sigla na Câmara, Arnaldo Jordy (PA), disse que o PPS respeita a soberania partidária do PSDB, mas cobrou que os tucanos esclareçam a estratégia. "Que reformas pretendem apoiar? Quais são as propostas estão dispostos a discutir?", questionou o deputado paraense.

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