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Aécio investe em acordos no Nordeste para tentar reduzir vantagem petista

Candidato do PSDB ao Planalto se alia a governista no Ceará e inicia viagens pela região onde Lula e Dilma registraram amplas vantagens nas eleições anteriores

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O Estado de S.Paulo

27 Junho 2014 | 02h03

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves (MG), acertou ontem uma aliança com o senador Eunício Oliveira, candidato do PMDB ao governo do Ceará. O acordo abriu espaço para o tucano no 3.º maior colégio eleitoral do Nordeste, com 6,2 milhões de eleitores, e ampliou para quatro o número de palanques próprios na região em que as pesquisas apontam baixa intenção de voto do mineiro.

A aliança com o PMDB cearense foi selada ao mesmo tempo em que o ex-governador Tasso Jereissati (PSDB) anunciou que desistia da candidatura ao Senado. Tasso é cotado para a vice de Aécio se a campanha tucana optar por um nome que agregue votos na região.

Conforme a mais recente pesquisa Ibope, apenas 1 em 10 pessoas que dizem votar em Aécio está no Nordeste - região que representa 27% do eleitorado nacional. Seus principais adversários, a presidente Dilma Rousseff (PT) e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), têm 1 em cada 3 eleitores nessa região. A maior parte do eleitorado do tucano está no Sudeste: 53% de seus votos estão na região, que reúne 44% dos eleitores do País.

Por isso, nesta reta final da definição das candidaturas e coligações, Aécio vem dando atenção especial aos palanques no Nordeste. O PSDB deve lançar candidaturas próprias em apenas dois Estados: Paraíba, com o senador Cássio Cunha Lima, e Alagoas, com Eduardo Tavares, ex-secretário do atual governador Teotônio Vilela Filho (PSDB).

Entretanto, as principais apostas na região estão nos palanques comandados por partidos aliados de Dilma nacionalmente. Além do Ceará, a coordenação da campanha tucana já contabiliza apoios em outros Estados expressivos eleitoralmente, como Bahia, Maranhão e Piauí. No Ceará, Eunício lidera as pesquisas e não deve dar palanque a Dilma, ocupando-se de trabalhar exclusivamente por Aécio. O distanciamento com o Planalto se deu após a insistência do PT em apoiar um nome indicado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes (PROS).

Na Bahia, maior colégio eleitoral nordestino (10 milhões de eleitores), uma frente de 18 partidos deve dar um sólido palanque a Aécio. A chapa encabeçada por Paulo Souto (DEM) terá o tucano Joaci Góes na vice e o ex-ministro de Lula Geddel Vieira Lima (PMDB) como candidato ao Senado. Em 2010 a Bahia garantiu a Dilma sua maior liderança no 2.º turno (2,7 milhões de votos a mais do que recebeu o tucano José Serra). Agora, o afastamento peemedebista preocupa a cúpula petista.

Também no Maranhão um aliado do PT no plano nacional segue com Aécio. O ex-presidente da Embratur Flávio Dino (PCdoB) abrirá seu palanque para os dois adversários de Dilma: Aécio e Campos. A vaga de vice deve ficar com o deputado Carlos Brandão, do PSDB.

São João. Hoje, Aécio Neves participa da convenção do PSDB no Piauí, em ato do qual participa também Eduardo Campos. Os dois estão aliados à candidatura de José Filho (PMDB), que terá Silvio Mendes (PSDB) como vice e Wilson Martins (PSB) como candidato ao Senado. O candidato tucano também marcará presença nas tradicionais festas de São João de Campina Grande, na Paraíba, e de Caruaru, no agreste pernambucano.

A estratégia de avançar sobre o Nordeste é considerada central para um eventual 2.º turno. O PSDB também conta com uma boa votação na região do pré- candidato do PSB, Eduardo Campos, para tirar votos de Dilma. Em Pernambuco, o PSDB fechou um acordo informal com os pessebistas e deve apoiar Paulo Câmara, apadrinhado de Campos. "O fato de votar no Eduardo também ajuda Aécio", afirmou o líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Antônio Imbassahy (BA). / CARMEM POMPEU, DÉBORA ÁLVARES, RICARDO DELLA COLETTA, RICARDO BRITO, LUCAS DE ABREU MAIA e RODRIGO BURGARELLI

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