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Eleições 2014

Aécio evita falar em 'mudança' na campanha após pesquisa

GUSTAVO PORTO - Estadão Conteúdo

30 Agosto 2014 | 14h 41

Candidato do PSDB prefere atacar gestão de Dilma Rousseff e ressaltar semelhanças entre o seu programa de governo e o de Marina

O candidato a presidente da República Aécio Neves (PSDB) evitou neste sábado comentar a necessidade da mudança da campanha após a pesquisa Datafolha, divulgada na última sexta-feira, mostrar sua candidatura com 15% das intenções de voto, 19 pontos atrás de Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB), ambas com 34%. Ao ser indagado se concordava com a afirmação de que era preciso reavaliar a campanha - feita pelo ex-governador paulista e seu coordenador de campanha, Alberto Goldman, ao Broadcast - Aécio desconversou e partiu para o ataque a Dilma.

"Temos projeto para o Brasil, debatido e coerente com o que sempre pregamos ao longo a nossa caminhada. O quadro é que o atual governo fracassou e que a atual presidente da Republica perderá as eleições, porque levou o País à inflação novamente e paralisou as principais obras estruturantes", afirmou Aécio ao chegar a Ribeirão Preto (SP) para um evento de campanha.

Segundo ele, entre as duas propostas alternativas que restam, ou seja, a dele e a de Marina, "a nossa é coerente com o que sempre debatemos durante toda a nossa existência". Aécio defendeu uma política fiscal mais transparente, política econômica que permita de novo os investimentos e políticas sociais que "tragam de volta a superação da pobreza e não simples administração".

O candidato tucano voltou a afirmar que tem absoluta confiança que as propostas de sua candidatura o permitirão estar no segundo turno e aproveitou para ironizar Marina, sem, no entanto, citá-la nominalmente. "Não basta tirar o PT do governo, é preciso no lugar um governo que tenha quadros, experiência e propostas exequíveis, que não carregam contradições".

Aécio negou ainda que seja preocupante o cenário em Minas Gerais, onde o candidato tucano ao governo Pimenta da Veiga enfrenta dificuldades para se aproximar do petista Fernando Pimentel. Segundo pesquisa Ibope divulgada na última terça-feira, Pimentel tem 37% e Pimenta da Veiga 23% das intenções de votos.

Ele comparou o cenário com o do ex-governador mineiro Antonio Anastasia (PSDB), em 2010, o qual saiu atrás da disputa e a venceu. "O Anastasia não tinha metade dos votos que o Pimenta da Veiga tem. Em Minas Gerais tenho vencido sucessivamente as eleições e quem conhece bem o Aécio vota no Aécio", concluiu.

Elogio. Ainda segundo o cenário desfavorável ao PSDB dentro da corrida para Presidência da República, Aécio tratou com ironia o programa de governo lançado nesta sexta-feira, 29, pela adversária Marina Silva (PSB) e classificou a proposta dela como "a maior homenagem que poderíamos receber", numa referência à semelhança com as doutrinas tucanas.

"Programa da candidata Marina a trinta dias as eleições é a maior homenagem que poderíamos receber nesse momento, porque na verdade ela consagra as teses que defendemos ao longo da nossa existência", disse ele ao chegar em Ribeirão Preto (SP) neste sábado.

A ironia do candidato continuou quando ele lamentou o fato de Marina ter, segundo ele, se convertido do ponto de vista econômico. "Lamento que essa conversão do ponto de vista econômico não tenha vindo quando Marina militava no PT, que combateu ferozmente o Pano Real, a lei de responsabilidade fiscal", disse. "Fico feliz que ela adote prática que executamos em Minas Gerais, como o rendimento variável dos servidores da educação e em saber da necessidade que o agronegócio seja estimulado e o governo seja parceiro do etanol".

No fim, Aécio classificou Marina como "uma marca um pouco genérica" e ele o original. "Entre o original e aquele que se apresenta agora com uma marca um pouco genérica, eu fico com o original. No momento que prevalecer a razão, vamos vencer as eleições", afirmou o candidato. 

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