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Aécio e Temer reforçam reaproximação

- Atualizado: 11 Março 2016 | 06h 39

Presidentes do PSDB e do PMDB conversam após jantar que reuniu as cúpulas dos dois partidos; vice foi orientado a manter discurso da unidade

Senador Aécio Neves concede entrevista após participar de seminário do PSDB, na Câmara dos Deputados
Senador Aécio Neves concede entrevista após participar de seminário do PSDB, na Câmara dos Deputados

BRASÍLIA - O vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, conversou nesta quinta-feira, 10, no fim da tarde por telefone com o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), para reforçar com ele a estratégia de reaproximação dos dois partidos. Segundo relatos, o tucano considerou que o mandato da presidente Dilma Rousseff já se exauriu e que Temer poderá ser uma alternativa de poder.

Nesta quinta-feira, em conversas com integrantes do partido no dia seguinte ao jantar que selou a reaproximação entre PMDB e o PSDB, o vice-presidente foi orientado a manter o discurso de unidade da legenda. A estratégia é transmitir a imagem de que Temer consegue unir o partido e, dessa forma, ser um polo de atração para a negociação de uma futura coalizão de governo com outros partidos, caso Dilma sofra o impeachment.

Nesse sentido, interlocutores de Temer já saíram nesta quinta-feira em busca de outros partidos da base de Dilma, como PP e PR. O jantar, na noite de quarta-feira, casa do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), contou com a presença da cúpula do PMDB no Senado: Eunício Oliveira (CE), Renan e Romero Jucá (RR). Além de Aécio, também compareceram os tucanos Cássio Cunha Lima (PB), José Serra (SP), Antonio Anastasia (MG), Aloysio Nunes (SP) e o recém filiado Ricardo Ferraço (ES).

Abril. A cúpula do PMDB já calcula que até o final de abril Dilma terá o seu destino selado. Neste calendário, consta o julgamento do Supremo Tribunal Federal marcado para a próxima quarta-feira, no qual os ministros devem analisar os recursos contra decisão da Corte sobre o rito do impeachment no Congresso Nacional e a consequente deflagração do processo na Câmara.

A avaliação corrente é a de que, no dia seguinte à decisão do STF, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dará continuidade ao processo iniciado na Casa. Após passar pela Câmara, o procedimento deverá ser aprovado por maioria simples dos senadores, o que geraria afastamento imediato do cargo por 180 dias.

Nesta quinta-feira após uma reunião com Renan no gabinete do presidente da Câmara, Aécio defendeu “o papel estratégico” do PMDB na condução do processo do impeachment.

Segundo o presidente do PSDB, a conversa teve a dimensão adequada para os dois partidos, que buscam uma solução para a crise política. “Talvez tenha sido o início de uma conversa que nós pretendemos continuar”, afirmou. O senador, entretanto, não poupou o PMDB da pressão de deixar o governo e afirmou que o partido terá responsabilidade com os rumos do País.

“O que percebo é que o próprio PMDB sabe que o Brasil vive em ebulição e eles terão contas para prestar com a própria história”, afirmou. Ainda de acordo com Aécio, “setores importantes” do PMDB já sinalizam saída do governo. “Vejo setores importantes do PMDB já compreendendo que, mesmo com a solidariedade pessoal que possam ter à presidente, com ela não tem solução.”

Apesar das declarações de Aécio, Renan adotou discurso mais ameno. Ele afirmou que vai continuar conversando com diferentes partidos e que o PMDB deve ter cuidado com qualquer sinalização sobre o posicionamento do partido. “O PMDB deve fazer sua convenção com muita responsabilidade porque qualquer sinalização que houver com relação ao posicionamento do PMDB pode diminuir ou aumentar a crise”, disse. Segundo ele, o partido é o “pilar da governabilidade”.

O governo notou a reaproximação do PMDB com o PSDB e Dilma fez apelos a Renan e Eunício para que os dois atuem para garantir que a sigla se mantenha na base aliada na convenção da legenda marcada para amanhã. / COLABORARAM CARLA ARAÚJO, DANIEL CARVALHO, IGOR GADELHA, JULIA LINDNER e RICARDO BRITO

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