Aécio e Serra empatam entre eleitores que dizem conhecer os dois tucanos

Senador e ex-governador têm potencial de voto semelhantes quando são considerados só os eleitores que os conhecem, mas mineiro teria mais espaço para crescer

José Roberto de Toledo, O Estado de S. Paulo

23 Março 2013 | 16h00

Se todos os presidenciáveis tivessem o mesmo grau de conhecimento pelo eleitor, a presidente Dilma Rousseff continuaria franca favorita, mas, no PSDB, o senador Aécio Neves (MG) alcançaria um potencial de voto equivalente ao do ex-governador José Serra. O mineiro chegaria a 41% de eleitores que poderiam votar nele, ante 42% do paulista. É o que mostra pesquisa nacional sobre a sucessão de 2014 feita pelo Ibope a pedido do Estado.

"Apesar de os dois estarem tecnicamente empatados quando excluímos quem diz desconhecer os candidatos, Aécio teria mais espaço para conquistar novos eleitores", diz Marcia Cavallari, CEO do Ibope Inteligência. O teto de Serra é mais baixo porque ele é conhecido por 86% do eleitorado e tem 50% de rejeição. Para Aécio, essas taxas são de 61% e 36%, respectivamente.

A rejeição a Serra aumentou muito desde abril de 2010, quando ele disputava a eleição presidencial pela segunda vez. Foi a última vez que o Ibope mediu o potencial de voto do tucano usando a mesma técnica empregada desta vez. Na época, só 32% dos eleitores diziam que não votariam nele de jeito nenhum.

Quando se recalcula o potencial de voto excluindo-se quem não conhece os candidatos, todos os presidenciáveis ficam em uma mesma base comparável, como se fossem igualmente reconhecidos pelo eleitor, explica Marcia. Nesse cenário, Dilma chega a um potencial de 79%. Marina Silva (sem partido) fica em segundo lugar, com 50%. As taxas somadas superam 100% porque há eleitores que admitem poder votar em mais de um candidato.

Não por acaso, as duas candidatas têm a maior sobreposição de eleitores entre todos os nomes testados pelo Ibope. Nada menos do que 41% dos eleitores que dizem que votariam em Dilma falam o mesmo sobre Marina. Isso indica que a ex-senadora tem o maior potencial de crescimento caso a presidente perca popularidade.

Isso implicaria, entretanto, uma reversão da tendência do eleitorado. Dilma tem uma rejeição menor hoje do que tinha em abril de 2010, quando disputou a Presidência pela primeira vez. Na época, 34% diziam que não votariam nela de jeito nenhum. Na atual pesquisa, essa taxa está em 20%.

Para a CEO do Ibope, só há duas hipóteses para a rejeição a Dilma aumentar: um descontrole da economia que possa ser sentido no bolso pelo eleitor, ou a eventual necessidade de racionamento de energia elétrica - como ocorreu em 2001, o que afetou a avaliação do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Risco. "Não bastam indicadores econômicos ruins", diz Marcia. Na sua opinião, seria necessário o eleitorado sentir uma perda de poder de compra provocada pelo descontrole da taxa de inflação, por exemplo, ou um inesperado aumento do desemprego. "As pessoas estão percebendo que têm oportunidades, pela facilidade de emprego e de crédito. Se isso não mudar, há pouco risco para a popularidade da presidente."

A margem aberta por Dilma sobre seus adversários é inédita em uma corrida presidencial no Brasil quando o incumbente tenta se manter no cargo. Houve candidatos que começaram muito na frente e terminaram atrás, mas nunca um presidente. "Há um conjunto de notícias positivas, a percepção favorável do eleitor e uma consolidação alta", enumera a diretora do Ibope.

Por isso, completa, os candidatos de oposição têm de crescer ainda em 2013 para manterem suas chances. Não é só a popularidade de Dilma que está no caminho deles. Também a Copa do Mundo tende a atrapalhar.

"No ano que vem tem férias, carnaval e, logo em seguida, já vai começar o clima de Copa, dividindo a atenção do eleitor. Serão poucos meses úteis para que os candidatos apareçam na mídia e se tornem mais conhecidos", adverte a CEO do Ibope.

O calendário é especialmente cruel com os presidenciáveis que são menos conhecidos, como o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). "Se deixar para mostrar a que veio apenas em agosto ou setembro de 2014, durante o horário eleitoral, não vai dar tempo de crescer. Ou começa a aparecer agora, ou vai ficar tarde", diz Marcia.

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