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Aécio defende que governo compartilhe comando da CPI

RICARDO BRITO - Agência Estado

27 Março 2014 | 17h 18

O pré-candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves (MG), defendeu nesta quinta-feira que a base aliada do governo no Congresso compartilhe o comando da CPI da Petrobras. Os aliados têm maioria na Câmara e no Senado para indicarem o presidente e o relator da CPI e, dessa forma, ditar o ritmo das investigações. Essa foi a estratégia que o governo adotou em 2009 quando o Senado também conseguiu instalar uma CPI da Petrobras. Na ocasião, o então líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), foi o relator e o senador João Pedro (PT-AM), o presidente da comissão.

No início da manhã, o vice-líder do PSDB na Casa, Alvaro Dias (PR), protocolou o pedido de abertura de comissão com 28 assinaturas, um a mais que o mínimo necessário para realizar a apuração. Aécio Neves disse que vai cobrar que o pedido de CPI seja lido pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), até a próxima terça-feira. A partir do momento em que Renan fizer a leitura, os senadores terão até a meia noite daquele dia para retirar ou incluir as assinaturas.

O tucano disse que ainda vai trabalhar para tentar viabilizar uma CPI composta por senadores e deputados. Ontem à noite, os responsáveis por coleta de assinaturas na Câmara já haviam superado o número mínimo de 171 apoios, mas ainda não tinham protocolado o pedido de CPI mista.

Aécio Neves chamou de "vergonhosa" a pressão que integrantes da base aliada fazem em parlamentares para retirar as assinaturas e inviabilizar a instalação da CPI. O jornal O Estado de S. Paulo revelou hoje que líderes como Gim Argello (PTB-DF) vão trabalhar para retirar as adesões. "É quando eu entro em cena, sou especialista nisso. Vamos conseguir trabalhando caso a caso para retirarem as assinaturas às cinco para a meia noite (do dia que o requerimento for lido em plenário)", disse o petebista, que foi surpreendido com a adesão de Clésio Andrade (PMDB-MG) e Eduardo Amorim (PSC-SE).

Para o tucano, a atuação é uma ameaça à dignidade do Parlamento. "Não acredito que nenhum senador que colocou a sua assinatura vai tirar. Mas apenas a movimentação no submundo da política por parte de lideranças do governo mostra um desespero de um governo que, a meu ver, vive os estertores para o bem do Brasil", afirmou.