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Aécio defende mobilização nas redes sociais por CPI da Petrobrás

Pedro Venceslau

11 Abril 2014 | 10h 31

Em entrevista à Rádio Estadão, o senador também disse que assinaria pedido para criar comissão destinada a investigar denúncias de cartel em licitações do metrô em São Paulo

São Paulo - O senador Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência, defendeu nesta sexta-feira, 11, a realização de um abaixo-assinado nas redes sociais para pressionar o Congresso Nacional a instalar a CPI da Petrobrás e se disse disposto a assinar qualquer CPI para viabilizá-la, inclusive uma para investigar a formação de cartel no sistema metroferroviário de São Paulo em gestões do PSDB.

"A CPI não é invenção da oposição. É para responder à indignação, ao aparelhamento da estatal. Quanto maior for a pressão, mais chance nós teremos de fazer as investigações", disse o tucano em entrevista à Rádio Estadão nesta manhã. "Façam isso, se manifestem nas redes, publicamente", disse, ao responder a um ouvinte que questionou a validade de um abaixo-assinado para pressionar pela criação da CPI da Petrobrás.

Ao ser perguntado se assinaria uma CPI destinada a apurar denúncias de cartel em licitações do metrô em São Paulo, o presidente do PSDB respondeu: "Eu daria minha assinatura sem problemas [para a criação de uma CPI sobre o cartel]. Quero ser o primeiro a assinar CPIs sobre qualquer assunto", afirmou. Como uma resposta à iniciativa da oposição de pedir uma investigação sobre a Petrobrás, a base governista no Congresso sugeriu que a CPI investigasse também o cartel do metrô em São Paulo e em Brasília e suspeitas na obra do Porto de Suape (PE).

Para o senador tucano, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), "se curva aos interesses do Palácio do Planalto" ao defender a ampliação do foco da CPI, o que significaria, segundo Aécio, uma manobra para tirar o foco da Petrobrás. "A oposição tem 18% das cadeiras da CPI e o governo tem 80%. Você acha que vão nos permitir convocar diretores da Petrobrás? A base do governo não quer investigar absolutamente nada, não quer criar CPI para investigar trens e porto", afirmou. O senador disse confiar da decisão do STF porque "há jurisprudência".

O senador afirmou que insistirá em obter uma liminar que assegure a instalação da CPI exclusiva da Petrobrás. Na próxima terça-feira, 15, lideranças do partido terão encontro com a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, relatora do processo na Corte. Caberá a ela decidir se acata ou não o pedido da oposição de instalação imediata da comissão de inquérito.

Ainda que a CPI ampliada seja aprovada, o senador afirmou defender a permanência dos oposicionistas na comissão. A decisão final, no entanto, será tomada após a reunião com a ministra Rosa Weber.

Aécio Neves voltou a dizer ainda que, se eleito, vai "reestatizar" a Petrobrás, que, segundo ele, foi "aparelhada" durante o governo petista.

Pimenta da Veiga. O senador também defendeu mais uma vez o ex-ministro e pré-candidato do PSDB ao governo de Minas, Pimenta da Veiga, indiciado por lavagem de dinheiro pela Polícia Federal. O inquérito é um desdobramento do caso do mensalão mineiro. "Depois de dez anos esse assunto surge querendo misturá-lo a fatos ocorridos", afirmou. Em depoimento, Pimenta da Veiga assumiu ter recebido em 2003 R$ 300 mil da agência de publicidade SMPB, de Marcos Valério Fernandes de Souza, mas disse que o valor se refere a pagamento de serviços de advocacia. / Colaborou Lilian Venturini