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Aécio convoca 'blocão' na Câmara a apoiar criação da CPMI da Petrobrás

Nivaldo Souza - O Estado de S. Paulo

20 Março 2014 | 15h 14

Senador mineiro e pré-candidato do PSDB à Presidência quer arregimentar votos para aprovar o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que ele apresentará na próxima terça

Brasília - O senador Aécio Neves (PSDB-MG) fez, na tarde desta quinta-feira, 20, uma convocação para que membros do chamado 'blocão', grupo informal de parlamentares descontentes com a articulação política do Planalto, apoiem o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que ele apresentará na próxima terça-feira (25) para investigar a compra irregular de uma petrolífera em Pasadena, nos EUA, com aval da presidente.

"Aqueles da base do governo que dizem que querem investigar essa questão, e já nos ajudaram a aprovar a comissão externa envolvendo outras denúncias na Petrobrás, no pagamento de propina por parte de uma empresa holandesa, esperamos que possam nos ajudar para que essa questão seja esclarecida", afirmou, após reunião com representante da Juventude do PSDB.

O Estado revelou nesta quarta-feira, 19, que a presidente Dilma Rousseff justificou em nota oficial que só aprovou a compra de 50% da refinaria americana em 2006, quando era chefe da Casa Civil do governo Lula e comandava o conselho da Petrobrás, porque recebeu "informações incompletas" e uma "documentação falha". Se tivesse todos os dados, disse a petista na nota, "seguramente" a compra da refinaria não seria aprovada.

O negócio de Pasadena, que custou à época US$ 360 milhões (cerca de R$ 840 milhões em valores atuais), é investigado pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, pelo Tribunal de Contas da União.

Aécio não acusou diretamente Dilma de irregularidade, mas cobrou explicações. "Eu não acuso a presidente de improbidade. Ela é uma pessoa de bem. Eu acredito na honestidade da presidente", disse, ressaltando que a CPI seria uma maneira para que "a própria presidente possa explicar as razões de ter tomado essa decisão (a compra da empresa americana) e por que omitiu dos brasileiros nos últimos seis anos essas razões".

Segundo o pré-candidato tucano à Presidência, Dilma teria conhecimento técnico para avaliar aquisição à época, quando presidia o conselho da Petrobrás. "O Brasil precisa que se esclareça quais foram as razões pelas quais a presidente da República, especialista na área de minas e energia, tomou uma decisão danosa para as finanças da Petrobrás e do próprio País", afirmou.