WILTON JUNIOR/ESTADAO
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Aécio diz que continua presidente licenciado do PSDB e Tasso comanda até eleições internas

Aécio diz ter feito um 'apelo' para que Tasso continuasse como presidente interino; votação da denúncia contra Temer ontem expôs base rachada do PSDB

Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2017 | 14h42

BRASÍLIA - Atingido pelas delações da JBS, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) anunciou na tarde desta quinta-feira, 3, que vai continuar como presidente licenciado do PSDB até o fim do ano. Mas anunciou que está passando o comando do partido, de fato, ao senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Em reunião na manhã de hoje, eles definiram um calendário para a nova eleição da Executiva Nacional, quando escolherão o próximo presidente tucano e o candidato do PSDB à Presidência da República em 2018.

"Fiz apelo a Tasso para que continue como presidente do PSDB. O senador Tasso hoje é quem tem as melhores condições de conduzir a renovação do PSDB. Até dezembro, faremos uma convenção para decidir um nome do PSDB à Presidência", explicou Aécio Neves, acrescentando que "o PSDB fortalecido e unido é bom para o País". Tasso Jereissati também falou à imprensa e confirmou que vai ficar na presidência interina do partido. O senador cearense procurou enfatizar, no entanto, que vai "conduzir" a legenda.

Em seguida, Tasso tentou negar que os dois tucanos tivessem atuado nos bastidores para influenciar a bancada do PSDB na Câmara, durante a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer. A reportagem do Estadão/Broadcast apurou ontem que tanto Aécio quanto Tasso procuraram garantir maioria para os seus respectivos lados. Isso porque, enquanto o mineiro defende a manutenção da aliança com o Palácio do Planalto, o senador cearense é a favor do desembarque da base aliada.

"Não impusemos nada a ninguém, cada um vota como quiser", afirmou o senador Jereissati, que procurou minimizou o fato de o PSDB ter o comando de quatro ministérios no governo de Temer. "Se tem ministro ou não tem ministro do PSDB, é problema do presidente da República. Se Temer quiser tirar todos os ministros do partido, é problema dele".

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Aécio também foi na mesma direção e afirmou que a permanência do PSDB no governo é "algo absolutamente secundário". Para ele, a divisão dos tucanos na votação da denúncia contra Temer ontem não é "fato negativo". "Cada parlamentar votou conforme sua vontade", disse.

Tanto Jereissati quanto Aécio evitaram falar nas denúncias contra o senador mineiro, feitas pela Procuradoria-Geral da República. "Aécio tem direito e está fazendo brilhantemente sua defesa", disse Jereissati.

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