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Política

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Advogado não consegue votar na zona oeste de SP

Eleitores relatam falhas em urnas e problemas para votar na região metropolitana

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LAURA MAIA DE CASTRO E CLEIDE SILVA ,
O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2014 | 14h38

São Paulo, 26/10/2014 - O advogado Felipe Delmanto, de 35 anos, não conseguiu votar no fim da manhã de domingo na Escola Pueri Domus, no Itaim, zona oeste de São Paulo. Segundo ele, o local onde deveria assinar o formulário de votação estava em branco, mas o comprovante não estava mais anexado.

"Quando o mesário colocou o número do meu título, constava que eu já havia votado", contou ele, bastante revoltado. Delmanto procurou a Polícia Militar que fazia segurança na escola e decidiu abrir um Boletim de Ocorrência, mas até as 13h40 ainda aguardava na escola a chegada de um representante do cartório eleitoral para depois seguir para a delegacia do bairro.

"Eu quero saber quem votou no meu lugar e para quem foi meu voto", reclamou o advogado, que estava acompanhado da esposa Marcela. "Nem o TRE sabe dizer o que aconteceu", afirmou.

Nesses casos, o tribunal orienta o eleitor a pedir que levem o caso ao conhecimento do juiz eleitoral. Segundo a assessoria de imprensa do TRE-SP, s coordenadores de cada ponto de votação estão habilitados a entrar em contato com as autoridades se o mesário não conseguir resolver o problema.

No ABC. O representante comercial José Roberto dos Santos também não conseguiu votar. Ao apresentar o seu título de eleitor e um documento com foto, ele foi informado de que já haviam votado em seu lugar, na Escola Estadual José Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo do Campo. "Eu vi a assinatura embaixo da minha do primeiro turno e era completamente diferente", disse.

Após o incidente, Santos deixou o local dizendo que ainda não sabia o que faria. "Vou ligar no cartório eleitoral e ver o que é possível fazer", disse, ressaltando que pretendia votar no candidato tucano Aécio Neves. "Para não compactuar com essa roubalheira que está acontecendo no País, ia votar no Aécio", disse. O local de votação é o mesmo em que vota o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O TRE esclareceu ainda que o mesário da sessão terá que relatar o caso em ata e que o cartório eleitoral vai regularizar a situação do eleitor. Porém, não há como ele ter o seu voto computado.

Problemas com as urnas. Eleitores de seções na capital paulista relataram falhas em urnas ou dificuldades para votar, neste domingo, 26. As urnas de duas seções da Escola Deputado Silva Prado, no Jardim Popular, na zona leste da capital paulista, tiveram de ser substituídas depois de eleitores relatarem problemas para votar no candidato Aécio Neves, do PSDB.

Dois eleitores relataram ao Estado que, assim que digitaram o número "4", apareceu a mensagem de voto nulo perguntando se eles confirmavam. Os dois, entretanto, conseguiram votar após apertarem a tecla "corrigir" e inserirem os dois números do candidato novamente.

"Apertei o '4' e logo veio a mensagem de voto nulo. Eu corrigi e só assim consegui colocar os dois números do Aécio. Imagina quem não tem instrução e acaba anulando o voto", disse, por telefone, o eleitor Juliano Venucchi, comerciante de 36 anos. Venucchi declarou ainda que deve fazer um boletim de ocorrência sobre o caso após o trabalho.

Voluntários que trabalham na escola neste dia de votação e que preferiram não se identificar confirmaram pelos menos uma dezena de queixas semelhantes nas duas salas em que as urnas foram substituídas.

Por volta das 10h15, a reportagem do Estado esteve na escola e não havia mais relatos de problemas para votar nas duas seções. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) informou que, diante dos relatos por parte dos eleitores, as duas urnas foram substituídas e serão encaminhadas para averiguação posterior.

O órgão afirmou, por meio de assessoria de imprensa, que a possibilidade desse tipo de falha é muito remota, uma vez que, para que a mensagem de voto anulado seja exibida, o eleitor tem de digitar dois números que não formem a legenda de nenhum candidato.

Até as 12h34 (no horário de Brasília), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que 1.733 urnas foram substituídas no País, o que representa 0,40% do total. No primeiro turno foram trocadas 5.012 urnas em todo o País, o equivalente a 1,15% das 428,8 mil urnas usadas para este pleito.

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