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Advogado de Delcídio de Senado fala em 'perda de tempo' após delação

- Atualizado: 04 Março 2016 | 20h 42

Ex-ministro Gilson Dipp, que defende o petista no Conselho de Ética, se disse surpreendido com acordo e concordou que caso acelera processo de cassação na Casa

O senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado
O senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado

Brasília - O advogado responsável pela defesa de Delcídio em seu processo de cassação no Senado, Gilson Dipp, afirmou ao Estado não saber da existência de uma delação e se demonstrou incomodado com a notícia. "É novidade para mim, senão eu não estava brigando tanto na defesa. Como que eu ia perder tempo assim no Senado?", indagou.

Segundo o advogado, ele recebeu a informação pela imprensa. "Estou tão surpreso quanto vocês. Nunca me foi informado nada, até para que eu tivesse uma linha de defesa", afirmou.

Dipp, que foi ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), é responsável pela defesa de Delcídio no processo em que ele responde no Senado por quebra de decoro parlamentar, e que pode levar à cassação de seu mandato.

No âmbito do STF, a defesa foi coordenada pelo advogado Maurício Leite, que concluiu o trabalho com a aceitação do agravo regimental e a saída de Delcídio da prisão, em 19 de fevereiro. Figueiredo Basto é o advogado responsável por delações premiadas e já atuou na defesa de outros investigados pela Lava Jato que colaboraram com as investigações.

Veja a trajetória política de Delcídio Amaral
André Dusek/Estadão
Delcídio Amaral

Natural de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, Delcídio Amaral se formou engenheiro eletricista pela Escola de Engenharia de Mauá, em e participou da construção e montagem da Usina de Tucuruí, no Pará, obra que durou de 1976 a 1984. Depois de passagem pela Shell, na europa, foi diretor da Eletrosul em 1991, estatal responsável pelo planejamento energético da região sul. Foi ministro de Minas e Energia do governo Itamar Franco, de setembro de 1994 a janeiro de 1995

A avaliação de Dipp não é positiva. Ele concordou com o relator do processo, senador Telmário Mota (PDT-RR), de que a suposta delação é um complicador para o caso de quebra de decoro no Senado. "Evidentemente acelera o processo", concordou.

Insatisfação. O advogado não soube explicar como os novos fatos podem modificar a estratégia da defesa."Não sei nem o que vai ser feito, como vai ser feito e feito por quem. Pelo que eu li, já tem várias declarações. Vou me informar direito e tomar uma decisão, que pode ser não apenas de ordem jurídica, entendeu?", disse.

Quando questionado sobre o que seriam estas decisões de ordem não-jurídica, Dipp afirmou que vai avaliar toda a situação "em termos gerais, amplos, muito amplos". 

Apesar de demonstrar insatisfação com a situação, o advogado negou que vá deixar o caso. "Não posso dizer isso agora. Mas vou ver o que aconteceu, como aconteceu e avaliar em termos de defesa."

Na manhã desta quinta-feira, 3, a revista IstoÉ publicou reportagem em que revela trechos de suposta delação premiada do senador Delcídio Amaral, que foi preso preventivamente por tentar obstruir investigações da operação Lava Jato. Segundo a revista, Delcídio teria dito em delação premiada que a presidente Dilma tentou atuar ao menos três vezes para interferir na Operação Lava Jato por meio do Judiciário. Na delação, Delcídio teria citado também o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e detalhado os bastidores da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás.

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