Leonardo Augusto/Estadão
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Julgamento de acusados pela 'chacina de Unaí' é adiado para 27 de outubro

Justiça mineira decide futuro de suspeitos por envolvimento no assassinato de quatro servidores do Ministério do Trabalho em região com alta incidência de trabalho escravo, em 2004

Leonardo Augusto, especial para O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2015 | 09h37

Atualizado às 10h30

BELO HORIZONTE - O julgamento de dois acusados da chacina de Unaí, Norberto Mânica e José Alberto Castro, foi adiado para a próxima terça-feira, 27, a pedido da defesa de Mânica. A justificativa foi a apresentação, no último dia 19, de um vídeo de delação premiada de outro acusado, Hugo Pimenta, que também seria julgado nessa quinta, mas, com a delação, terá julgamento em separado. A data inicial seria 4 de novembro mas, com o novo calendário, ainda pode ser alterada.

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou durante a sessão, ser fundamental o acesso da defesa ao vídeo, e ameaçou abandonar a sessão caso isso não ocorresse. O juiz Murilo Fernandes, então, disse que intimaria a defensoria pública para dar prosseguimento à sessão. Ao final, no entanto, houve acordo com o Mesmo Ministério Público Federal (MPF) para o adiamento da sessão.

Na semana que vem está previsto o julgamento de Antério Mânica, irmão de Norberto e prefeito da cidade por duas vezes (2005 a 2008 e 2009 a 2012). Por ter sido prefeito, e por causa do foro privilegiado, o processo de Antério correu em separado. Os dois são fazendeiros. Hugo Alves Pimenta e José Alberto de Castro são apontados como intermediadores da contração dos pistoleiros que assassinaram os funcionários do ministério.

O crime ocorreu em 28 de janeiro de 2004. Os fiscais do trabalho Nelson José da Silva, João Batista Lages e Erastótenes de Almeida Gonçalves, que estavam juntos com o motorista Ailton Pereira de Oliveira, foram mortos a tiros em uma emboscada na zona rural de Unaí, no momento em que trabalhavam na região, com alta incidência de trabalho escravo e contratações irregulares de trabalhadores. Os quatro foram assassinados dentro do veículo com o qual se deslocavam nas visitas às propriedades rurais.

O Noroeste de Minas é um dos principais produtores de grãos do Estado, sobretudo milho e feijão. Conforme a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), os quatro foram mortos em função da atividade que exerciam. Os pistoleiros contratados para o crime, Erinaldo Vasconcelos Silva, Rogério Allan Rocha Rios e Willian Gomes de Miranda, já foram condenados a penas que variam de 56 a 94 anos de prisão. O julgamento ocorreu em setembro de 2013.

Um dos culpados, Erinaldo Silva, réu confesso, admitiu ter recebido R$ 50 mil para cometer o crime. A contratação do serviço, ainda conforme o pistoleiro, ocorreu em Formosa (GO), por intermédio de Francisco Pinheiro, réu falecido. A justificativa apresentada foi que os fiscais estavam "incomodando algumas pessoas". Se condenados, as penas podem ser de 12 a 30 anos de prisão multiplicadas por quatro, que é o número de vítimas. A demora no julgamento se deveu a recursos apresentados pelos acusados. Todos estavam em liberdade.

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