Acusações contra Cunha não tiram legitimidade para conduzir impeachment, diz líder do DEM

Mendonça Filho defendeu que o presidente da Câmara continue conduzindo o processo de afastamento de Dilma e minimizou suspeitas que pesam contra ele no âmbito da Operação Lava Jato

Daniel Carvalho e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

13 Outubro 2015 | 12h12

BRASÍLIA - Apesar das denúncias de corrupção envolvendo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o líder do DEM na Casa, Mendonça Filho (PE), disse nesta terça-feira, 13, que o peemedebista tem legitimidade para dar seguimento ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

"A situação do presidente da Casa tem que ser preservada do ponto de vista da prerrogativa constitucional", afirmou Mendonça, após participar de encontro que reuniu líderes da oposição e Cunha na residência oficial do presidente da Câmara. "Qualquer cidadão que esteja no cumprimento de suas obrigações tem legitimidade", disse o líder do DEM.

O Ministério Público da Suíça acusa Cunha e familiares de terem contas naquele país. Os recursos aplicados na Europa foram utilizados para pagar aulas de tênis e cursos no exterior, segundo as autoridades suíças.

Apesar da nota divulgada no fim de semana por DEM, PSDB, PPS, SD, PSB e Minoria pedindo o afastamento de Cunha, Mendonça disse que seu partido não assinará o pedido de cassação que será apresentado pelo PSOL nesta tarde ao Conselho de Ética da Câmara. No entanto, ele disse que não blindará o presidente da Casa. "A gente não criará nenhum obstáculo para qualquer processo de investigação. Não vai blindar ninguém", afirmou, após ser pressionado por jornalistas em entrevista coletiva.

A divulgação da nota irritou Eduardo Cunha e dividiu a oposição. Deputados do DEM, do PSDB e do Solidariedade encararam a emissão do comunicado como um erro que abalou a relação de confiança que tinham com o presidente da Câmara. Na avaliação de governistas e oposicionistas, a nota não passou de jogo de cena para dar satisfação a opinião pública e bases eleitorais.

Até o final da tarde, a oposição apresentará um aditamento ao pedido de impeachment protocolado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior. A ideia é incluir no requerimento que pede o afastamento de Dilma as chamadas "pedaladas fiscais" praticadas em 2015. 

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