Ayrton Vignola/Estadão
Ayrton Vignola/Estadão

'Temer sempre foi muito direto, pedia dinheiro mesmo', disse Joesley à revista

Empresário afirmou à revista 'Veja' que PMDB da Câmara, grupo ao qual o presidente Temer e Eduardo Cunha pertencem, era o mais 'explícito' na hora de pedir propina; demais políticos falavam 'uma ajuda'

O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2017 | 08h53

Responsável pelas delações que abalaram o governo Michel Temer (PMDB), o empresário Joesley Batista disse, em entrevista à revista "Veja", que o presidente "verdadeiro" é aquele que gravou. De acordo com o do  empresário, o Temer "que aparece não televisão" é falso e, na intimidade, ele é um homem "100% direto" no conteúdo do que falava - no caso, de propina. 

Diferentemente de outros políticos, que pediam a Joesley "uma ajuda", o presidente Temer era mais direto, segundo contou na entrevista, divulgada nesta sexta-feira, 1º. O empresário conta que ele "pedia dinheiro mesmo". "(Temer) Dizia: 'olha Joesley, precisava de R$ 3 milhões, precisava de 300 mil pra ver um negócio de campanha lá. Estilo, né? Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara dos Deputados) também sempre falou direto de dinheiro. O PMDB da Câmara é o mais explícito", afirmou. 

Na entrevista, o empresário contou ainda que teria entregue mais de uma vez pessoalmente dinheiro para o Eduardo Cunha. Segundo Joesley, ele não imaginava que um dia seria alvo de uma investigação profunda da Polícia Federal jpá que pagava políticos como Cunha. "Olha, pena nesta situação: você, um empresário, pousa num heliporto em Jacarepaguá (no Rio de Janeiro) com uma mala de dinheiro para entregar não ao Eduarco Cunha, mas ao presidente da Câmara dos Deputados, que estava lá com seguranças, num carro oficial..."

Joesley admite que não eram amigos, mas que compareceu diversas vezes à casa e ao escritório daquele que hoje ocupa o Palácio do Planalto. "Na forma ele é cuidadoso. Gesticula bem as mãos, fala mais formalmente, não fala palavrão, fala baixo. Mas no conteúdo é 100% direto", afirmou. Segundo ele, o presidente que usa mesóclise em seus discursos, é "sem cerimônia". 

Questionado sobre os negócios que ele e o presidente tratavam, Joesley afirma categoricamente que se tratava de repasse indevido. "Era propina, ilícito. Ele me pedindo dinheiro, eu pedindo alguma coisa a ele no Ministério da Agricultura...". 

À revista, Joesley fala da desconfiança de que o governo Temer operava para impedir a sua delação. Ele teria escalado o advogado Willer Tomaz, hoje preso, e o procurador (acusado de dar informações sigilosas ao empresário) Ângelo Goulart para tentar impedi-lo. O dono da JBS acredita que, quando o procurador descobriu que ia delatar, contou para outros peemedebistas, que começaram a se afastar dele. O objetivo de Temer, segundo avalia, era que o empresário continuasse pagando os presos até eventualmente ser  preso.

"Um sujeito inteligente, com 70 e tantos anos, me diz para continuar pagando aos presos e continuar pagando aos juízes...? Só se for por covardia", disse. "O plano era me prender e acabar com a minha empesa", completou.

Perdão. O empresário diz esperar que, com a entrega dos novos anexos e novas gravações, a sociedade vai pensar: "Pô, o Joesley teve a imunidade, mas olha como ele ajudou a desbaratar a corrupção'". disse o empresário na entrevista. O dono da JBS disse, ainda, que quando o delator decide fazer o acordo "ele vira uma chave". "Muda sua forma de pensar, de agir. Aqueles amigos que você tinha já não servem mais", afirmou. 

 

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