Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

A rádio, Temer diz que não convidou Imbassahy para pasta, mas confirma reação do Centrão

'Recuo zero', afirma presidente sobre escolha de tucano para Secretaria de Governo; segundo ele, convite não chegou mas conversas foram interpretadas por parlamentares como apoio à reeleição de Maia na Câmara

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2016 | 11h23

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer disse nesta sexta-feira, 9, que não houve recuo em relação à escolha do líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), para comandar a Secretaria de Governo no lugar do ex-ministro Geddel Vieira Lima. "Recuo zero. Não houve convite", disse, ressaltado que nunca chegou a formalizar um convite ao deputado. A declaração foi dada em entrevista coletiva à Rádio Jornal de Pernambuco. Nesta sexta, Temer faz sua primeira viagem pela região Nordeste.

O presidente reconheceu que há um acordo para um maior espaço do PSDB no governo, destacou que a legenda já tem o comando de três "grandes pastas", mas disse que é preciso costurar melhor o acordo com a base aliada para que seja enfim encontrado o substituto de Geddel.

"Houve um equívoco. Antes que eu fechasse a imprensa noticiou, não sei por meio de quem, mas o fato é que não estava fechada a matéria", disse. O presidente reconheceu que o nome de Imbassahy foi cogitado, destacou o perfil do deputado baiano e disse que recebeu a indicação "com o maior agrado". "É politicamente adequado, elegante do trato", destacou.

Centrão. Segundo interlocutores, o presidente escolheu Imbassahy, mas recuou no anúncio diante das reações contrárias de parlamentares do Centrão, bloco composto por 13 partidos. Temer também teria ficado contrariado com rumores de que a Secretaria de Governo, sob a gestão do PSDB, terá agora maior peso, assumindo funções antes conduzidas pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, como a relação com governadores.

O presidente concordou que houve reação dos parlamentares, ponderou que não havia negativa ao nome de Imbassahy, mas que a escolha estava sendo interpretada como apoio à reeleição de Rodrigo Maia na Câmara dos Deputados. "Como há o processo de eleições na Câmara federal, alguns partidos acharam que isso poderia favorecer um ou outro candidato", afirmou.

O presidente disse então que vai voltar a discutir o perfil para o substituto de Geddel e que como "se faz" vai "costurar o acordo em todos os setores da base". "Temos uma base muito ampla que está nos dando um apoio extraordinário no Congresso".

Padilha. Questionado sobre uma possível fragilidade do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que teria participado das negociações a favor de Geddel em episódio que culminou com a demissão do ex-ministro da Secretaria de Governo, o presidente disse que "não há crise, enquanto se fala em crise o governo está trabalhando" e afirmou que Padilha tem dados as respostas. "Há Uma ou outra notícia que são sempre justificadas e é o que ministro Padilha está fazendo", afirmou, dizendo que fatos "dessa natureza" não podem atrapalhar o governo. Durante a crise, Temer falou que alguns "fatozinhos" de vez em quando abalaram as instituições brasileiras.

Além da suposta participação de Padilha no caso Geddel, conforme mostrou o Estado, a disputa de uma propriedade de 1.929 hectares no litoral do Rio Grande do Sul envolvendo o ministro virou caso de polícia. No dia 30 de agosto deste ano, o empresário João Perdomini, de 76 anos, registrou na sede da Polícia Civil em Palmares do Sul boletim de ocorrência por "lesão corporal leve e ameaça" e informou ter sido agredido por "indivíduos que trabalham para Eliseu Padilha Ramos". O ministro alega ter direito à área por usucapião, enquanto integrantes da família Perdomini dizem ter comprado o terreno equivalente a 12 parques do Ibirapuera, em nome da Edusa Edificações Urbanas. 

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