A ministros, Lula defende aproximação com a oposição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou nesta segunda-feira, 23, em reunião com ministros do grupo de coordenação política, a importância da série de conversas que vem mantendo com adversários. A exemplo do que disse no programa Café com o Presidente, Lula, segundo relato de um dos participantes da reunião, defendeu que o processo de "distensão política" é fundamental para o desenvolvimento do País. "O presidente quer melhorar o ambiente político para criar uma sintonia com o bom ambiente econômico, e por isso vai conversar com dirigentes da oposição", disse a Reuters uma fonte que pediu para não ser identificada. Lula conversou até agora com os senadores Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA, ex-PFL) e Tasso Jereissati (PSDB-CE). Também recebeu o governador de São Paulo, José Serra. No final desta tarde, o presidente receberá o senador Romeu Tuma (DEM-SP). Na última sexta-feira, Lula convidou o professor Roberto Mangabeira Unger para assumir a nova Secretaria de Assuntos de Longo Prazo, um duro crítico do governo e do presidente, até aderir à reeleição de Lula, na campanha eleitoral de 2006. Lula disse ainda na reunião de coordenação de governo que vai ampliar também seus contatos com os movimentos sociais. Embora o mês de abril tenha sido marcado por manifestações, protestos e reivindicações, o Planalto considera que o diálogo político com os sindicatos rurais e urbanos está mantido, com exceção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que passa por uma crise na relação com o governo. Participaram da reunião os ministros da Fazenda, Guido Mantega; das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia; da Comunicação Social, Franklin Martins; da Justiça, Tarso Genro; do Planejamento, Paulo Bernardo e da Secretaria Geral, Luiz Dulci. Café com o presidente Em sua ofensiva para abrir canais de diálogo com a oposição, Lula voltou a utilizar o programa Café com o Presidente para tratar de um tema político, o que não era comum no primeiro mandato. No programa, o presidente mencionou a conversa que teve com Tasso na semana passada. "Veja, não havia por que não conversar com o Tasso Jereissati, de quem eu sempre tive uma boa relação, que ficou truncada no primeiro mandato. Coube a mim, como presidente da República, chamar o Tasso para uma conversa", disse. "Quando eu converso com o Tasso, converso com o senador Antônio Carlos Magalhães (DEM), eu converso com eles sabendo que eles são oposição, sabendo o que eles pensam, sabendo qual é a definição do partido deles, que pode ter candidato em 2010." Lula também afirmou, mais uma vez, que não irá opinar o projeto de fim da reeleição."Todo mundo sabe o que eu pensava em 2006. Eu sempre fui contra a reeleição. Acontece que tem o instituto da reeleição, e eu sou um presidente reeleito, portanto, eu não posso agora dar palpite na reforma política no que diz respeito à reeleição", lembrou. O presidente disse que, como não irá disputar as próximas eleições, tem "apenas que deixar o Brasil em 2010 infinitamente melhor" do que o Brasil que recebeu. (Colaborou Leonencio Nossa)

Agencia Estado,

23 Abril 2007 | 14h41

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