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A gangorra do PT em risco

Na gangorra petista, Lula está em baixa e Dilma parece em alta, mas esse movimento não tem mais como se inverter. Lula parou onde está: não tem como sair do atoleiro e voltar a subir ao patamar de líder político mais popular da história recente. E a posição de Dilma é incerta: ela ainda não escapou de afundar junto com a economia.

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Eliane Cantanhêde

31 Janeiro 2016 | 05h00

Abraçado a sua mulher, Marisa Letícia, e a seu filho caçula, Luis Cláudio, Lula vem sendo sugado para o centro dos escândalos pelo peso de um tríplex no Guarujá, um sítio em Atibaia, envolvimento com as maiores empreiteiras da Lava Jato, suspeita de venda de medidas provisórias e o envolvimento em série de seu primeiro escalão no mensalão, na Lava Jato e na Zelotes.

O valor do tríplex na Lava Jato vai muito além dos três andares, do elevador personalizado e dos R$ 777 mil da reforma, R$ 380 mil só para o mobiliário da cozinha e do quarto doados pela OAS. Ele vale principalmente por ser do Edifício Solaris, a maquete de concreto, tijolo e vidro de como o roubo na Petrobrás se processava.

Assim: o dinheiro saía da maior estatal brasileira, passava para os cofres de uma das maiores empreiteiras e dali era distribuído alegremente para a turma que comandava e comanda a política e o Executivo do país. Claro que passando por atalhos convenientes, como offshores e uma cooperativa de bancários presidida pelo PT - inclusive por um dos presos da Lava Jato.

Pelo tríplex, a situação de Lula mudou drasticamente de patamar. Se já era espantoso um ex-presidente ter de papear horas e horas na Polícia Federal, Lula e sua mulher agora estão intimados pelo Ministério Público de São Paulo para depor. Ele não é mais só testemunha.

Lula classifica as dúvidas do MP paulista de “infundadas e levianas” e o presidente do PT, Rui Falcão, diz que tentam “derreter Lula” para “destruir o PT”. São adjetivos e expressões fortes, mas procuradores, delegados e opinião pública querem algo mais substantivo: as empreiteiras davam ou não imóveis milionários para Lula, Marisa e companheiros do PT? Em troco do quê? E quem bancava era a Petrobrás?

Enquanto Lula se debate entre a serra e o mar, Dilma vai navegando, ora com ondas imensas, ora só sacolejando - como neste momento em que a agenda da presidente tem um objetivo político claro: demonstrar que tem como atravessar a tempestade e chegar viva à praia de 2018.

Numa só semana, antes do fim do recesso do Congresso, Dilma reuniu dezenas de representantes das finanças, da indústria, do comércio, da sociedade civil; anunciou sete medidas para tentar injetar R$ 83 bilhões de crédito na economia anoréxica; acenou com a redução da conta de luz; reuniu-se com líderes americanos; falou ao telefone com Obama.

Ao dizer que “vamos ganhar a guerra” contra o Aedes aegypti, o que Dilma tenta gritar é: “Eu vou ganhar a guerra!” Nenhuma das duas é fácil. Oferecer crédito a pessoas e empresas que não querem contratar dívidas? Usar o FGTS, um fundo dos trabalhadores, para corrigir erros do seu próprio governo? Centrar o discurso e a saída fiscal na CPMF, que o Congresso e a sociedade rejeitam?

Bem, o fato é que Lula está muito pior do que Dilma, que pelo menos saiu dos holofotes negativos para os positivos. É um avanço, ou um alívio. Só não se sabe até quando. E é aí o nó da questão: se o lado de Lula está no chão (e de lá não vai sair) e Dilma não está firme e forte em cima, o risco é os dois desabarem e a gangorra do PT se espatifar.

Alerta. Só na quinta e na sexta-feira passadas, o Consulado de São Francisco, nos EUA, emitiu ARB (Autorização de Retorno ao Brasil) para 12 turistas sem passaportes, documentos nacionais, dinheiro e pertences furtados em diferentes carros alugados. Furto, como o zika, não é exclusividade do Brasil.

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