A exemplo de Marta, ministros de Lula colecionam gafes

Recente frase da ministra do Turismo provocou reações e a fez pedir desculpas

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 09h40

As incontáveis gafes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fizeram escola dentro do governo: seus ministros ostentam uma invejável coleção delas, a exemplo do recente ´relaxa e goza´ da ministra do Turismo, Marta Suplicy, dirigido aos passageiros que sofrem com os atrasos nos aeroportos. Uma das mais escabrosas é de autoria do então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Em agosto de 2003, num evento em São Paulo, um estudante jogou uma galinha sobre a então prefeita Marta Suplicy e ele protestou: "Jogar uma galinha é uma ofensa e seria como se algum homem estivesse falando e jogassem um veado lá dentro." A ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial foi autora de uma super polêmica declaração. Em março de 2007, em entrevista à BBC Brasil, ela considerou natural a discriminação de negros contra brancos. Literalmente, afirmou que "não é racismo quando um negro se insurge contra um branco". E foi mais longe para explicar: "Quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou." O então o ministro de Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano, declarou, em fevereiro de 2003, que era imperioso desenvolver o semi-árido nordestino e explicou por quê num evento patrocinado pela Fiesp para celebrar o apoio da iniciativa privada ao Fome Zero, então recém-lançado: "Se eles (os nordestinos) continuarem vindo para cá nós vamos ter que continuar andando de carro blindado". Como Marta fez agora, depois tentou explicar o inexplicável. Em novembro de 2003 o então ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, ordenou o bloqueio do pagamento de benefícios aos aposentados com mais de 90 anos que não fizessem o recadastramento no INSS. A medida provocou uma hecatombe de protestos. No Bom Dia Brasil, da TV Globo, Berzoini disse que não pediria desculpas por sua medida radical. À tarde, depois de receber ordens taxativas de Lula, recuou e pediu desculpas. Em abril deste ano, o atual ocupante da mesma pasta, Luiz Marinho, atropelou aposentados que se manifestavam contra o aumento dos benefícios do INSS em frente a seu ministério e cercaram seu carro. Alguns dos aposentados caíram e três deles se machucaram. "Viemos ordeiramente para entregar nossas propostas ao ministro, esperamos ele sair, e ele tocou o carro em cima da gente", queixou-se o presidente da Confederação Brasileira dos Aposentados. Em abril de 2004 o então super-poderoso ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, fez uma ironia dispensável. À saída do Palácio Itamaraty, ao ser indagado por jornalistas sobre o novo valor que o governo fixaria para o salário mínimo, ele evitou fazer comentários sobre cifras. Como os jornalistas insistiram, o ministro soltou a frase infeliz: "Salário mínimo, só no tempo em que eu era office-boy", respondeu. Em setembro de 2003, descobriu-se que a então ministra de Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva, fora a Buenos Aires, para um encontro evangélico, com passagens e diárias pagas pelo governo. Para dissimular, marcou uma visita a sua homóloga no governo argentino. A oposição contabilizou viagens dela aos EUA, à Argentina e à África do Sul e fez piada. "A ministra é chegada a uma mordomia em nome de Deus", comentou um boletim do PSDB. Quando já não era ministro, mas presidente do PT e coordenador da campanha de Lula à Presidência, em setembro de 2006, Berzoini caiu dos dois cargos depois de admitir que tinha conhecimento da ação de assessores que montaram um dossiê com falsas acusações aos então candidatos do tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Ele admitiu saber que dois assessores seus tinham oferecido material com falsas acusações aos candidatos adversários. No começo do governo, em janeiro de 2003, o então ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, provocou um cogumelo atômico ao afirmar, numa entrevista, que o Brasil deveria dominar todo o ciclo nuclear. Nos dias posteriores o governo teve de desmentir que o Brasil pretendesse fabricar a bomba atômica. Em maio de 2005 o ministro Thomaz Bastos foi envolvido em outra formidável polêmica. A Secretaria Nacional de Direitos Humanos teve de suspender a distribuição da cartilha intitulada Politicamente Correto & Direitos Humanos, editada em 2004, depois de ampla repercussão que ironizava a impropriedade da publicação oficial. Entre outros verbetes, a cartilha condenava o uso de expressões como "a coisa ficou preta" (para não incorrer em racismo), ´baitola´ ou ´gilete´ (aconselhava usar ´gay´ ou ´entendido´), ´sapatão´ (sugeria ´lésbicas´) e xiita (qualificado como termo pejorativo aos muçulmanos).

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