André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

À CPI, Bendine diz que cabe à Petrobrás melhorar modelo de gestão

'É óbvio que a Petrobrás sempre estará sujeita a esse risco. E em oito meses, ainda não foi possível estabelecer as melhores práticas de governança que almejamos para a companhia', afirmou

Bernardo Caram e Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

14 Outubro 2015 | 18h04

Brasília - O presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, avaliou nesta quarta-feira, 14, em depoimento à CPI da Petrobrás que cabe à empresa aperfeiçoar seu modelo de gestão para mitigar os casos de corrupção. “É óbvio que a Petrobrás sempre estará sujeita a esse risco. E em oito meses, ainda não foi possível estabelecer as melhores práticas de governança que almejamos para a companhia”, afirmou.

Questionado se acha importante a continuidade dos trabalhos da CPI (que está próxima de seu prazo final), Bendine se limitou a dizer que a Petrobrás continuará colaborando com quaisquer investigações. “A empresa está à disposição das autoridades e vamos buscar a transparência a qualquer custo”, afirmou. 

O presidente da estatal também comentou sobre a reestruturação da petroleira e disse que a próxima reunião do Conselho de Administração da empresa deve analisar uma proposta de enxugamento da estrutura no topo da cadeia comando da companhia. “Me causou estranheza o fato de haver 50 gerentes-executivos que não têm responsabilidade estatutária. Isso contribui para que tomada de decisões na empresa não seja feita de forma mais conclusiva”, avaliou, em depoimento à comissão.

Governança. Em resposta a questionamentos feitos pelo relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), sobre a nova diretoria de governança da companhia, Bendine disse que a estatal ainda está em uma fase de colaboração e levantamento de não-conformidades. “É lógico que é necessário que o modelo de diretoria de governança evolua”, afirmou.

O executivo afirmou ainda que havia um questionamento sobre o tratamento inadequado das denúncias levadas à ouvidoria da empresa. “Isso já foi corrigido, e um novo canal de denúncias deve entrar em vigor entre 30 e 60 dias”, afirmou. “Estamos em fase de transição, melhor que no passado, mas ainda não o ideal”, acrescentou.

Bendine, explicou também que a empresa pediu informações às autoridades sobre um suposto envolvimento da companhia em denúncias no âmbito da Operação Zelotes, mas adiantou não haver indícios desse tipo de ocorrência. 

“Não tivemos nenhuma resposta, estamos aguardando. Mas uma apuração interna mostra que a Petrobrás não participou de nenhum modelo indecente com relação a ajustes na sua questão tributária”, afirmou, em depoimento à CPI da Petrobras na Câmara dos Deputados.

Recuperação. Durante a audiência na comissão que investiga os desvios na estatal revelados a partir da Operação Lava Jato, Bendine, também tratou da recuperação da companhia e listou quatro pontos vitais para a que a empresa retome seu bom desempenho e o enfrente os desafios com o preço baixo do barril de petróleo e a dívida acima da meta. “Estamos priorizando os investimentos, com 82% do total, na área de produção e exploração de petróleo, que é a principal atividade da empresa”, afirmou.

Em segundo lugar, ele disse que a Petrobrás está trabalhando na redução de gastos operacionais. “A Petrobrás tem que se adequar a um cenário mais realista, revendo todos os processos para reduzir custos. Nossa meta é reduzir custos gerenciáveis do plano de negócios em até US$ 12 bilhões nos próximos anos”, completou.

O terceiro ponto citado por Bendine é redução da dívida e a garantia da financiabilidade da empresa. “As captações junto ao mercado financeiro permitiram melhoria na dívida, com prazos mais longos e juros mais baixos. Só o escalonamento de dívida deste ano, esses movimentos já feitos, garantiram uma economia de US$ 3,8 bilhões este ano”, alegou.

Por fim, o presidente da estatal destacou medidas para a melhoria da gestão e da governança na empresa. “O modelo anterior não foi suficiente para se evitar essa situação de escândalo propomos então um modelo mais blindando, mais seguro, que privilegie decisões colegiadas e não pessoais. Atacamos um problema que está na raiz da Lava Jato, que eram decisões pessoais na empresa”, avaliou. 

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