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JF Diorio/Estadão

20 nomes concentram 67% da verba rastreada

Lobista é quem mais recebeu individualmente recursos; primeiro político da lista é Cabral, com R$ 97,9 milhões

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Daniel Bramatti e Marcelo Godoy ,
O Estado de S.Paulo

16 Abril 2017 | 05h00

Correções: 17/04/2017 | 18h28

É de um intermediário de um contrato do governo federal – a compra de submarinos franceses pela Marinha – o título de maior recebedor individual de recursos supostamente ilícitos pagos pela Odebrecht até agora rastreados. Trata-se do lobista José Amaro Ramos, com 40 milhões de euros (R$ 133,3 milhões). Só no quinto posto da lista das pessoas físicas aparece o primeiro político: Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio, com R$ 97,9 milhões.

Levantamento do Estado mostra o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega (PT) envolvido em repasses que chegaram a R$ 93 milhões – isso sem contar os R$ 150 milhões entregues para as campanhas de Dilma Rousseff em 2010 e 2014.

A lista dos dez maiores recebedores de recursos tem ainda: o senador Aécio Neves (PSDB-MG), com R$ 65,5 milhões supostamente obtidos em campanhas eleitorais, fraudes em contratos de estatais e licitações; um ministro angolano não identificado (R$ 63 milhões); o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB), que teria embolsado R$ 47,7 milhões em campanhas eleitorais, e o ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), com R$ 41,2 milhões relacionados à fundação de seu partido e a contratos no Ministério das Cidades e na Prefeitura de São Paulo.

Os 20 primeiros nomes da lista concentram 67% dos recebimentos. Há nela ainda o senador José Serra (PSDB-SP), o ex-ministro Antonio Palocci (PT), o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), o senador Romero Jucá (PMDB-RR), o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), e o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB). Procurados pelo Estado, todos negaram o recebimento de recursos ilegais.

Partidos. O PT foi a sigla para qual os delatores da Odebrecht disseram que mais entregaram recursos: R$ 408,7 milhões. Sozinho, o partido concentrou 24,3% do total rastreado pelo Estado entregue pela empreiteira como propina ou caixa 2 em campanhas eleitorais.

Seu ex-sócio no governo federal, o PMDB, é o partido que aparece em segundo lugar, com R$ 287 milhões em pagamentos (17,1%). Somando as quantias dos peemedebistas com as do PT e do PP (R$ 93,1 milhões, ou 5,5%) – os três partidos que inicialmente eram alvo da Lava Jato – chega-se ao total de 50,4% dos pagamentos.

O PSDB é o terceiro partido que mais recebeu dinheiro da Odebrecht, de acordo com o levantamento do Estado. Seus integrantes ficaram com R$ 151,9 milhões – 9% do total rastreado. Aa maior parte do valor foi paga a seus membros de São Paulo e de Minas Gerais. 

Correções
17/04/2017 | 18h28

A tabela que acompanhou a reportagem "Delações citam beneficiários de R$ 1,68 bilhão" apresentou dados imprecisos em relação a seis pessoas que, segundo a Odebrecht, receberam pagamentos da empreiteira: Eduardo Paes, Lindbergh Farias, Sérgio Cabral, Geraldo Alckmin, Julio Lopes e Gilberto Kassab.

Ao cruzar informações provenientes de três fontes - os 337 pedidos de abertura de inquérito e petições assinadas pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), os depoimentos que executivos da Odebrecht prestaram e a planilha de pagamentos entregue à Justiça  procuradores por Benedicto Júnior, um dos delatores -, o Estado adotou como critério desconsiderar valores da planilha de Benedicto Júnior sempre que quantias similares já tivessem sido citadas nas demais fontes, para eliminar o risco de dupla contagem. Isso foi feito com todos os nomes contemplados, com exceção dos seis citados acima, por causa de um erro no momento da fusão das tabelas.

No texto sem correção, figuravam na lista dos 20 primeiros nomes da lista o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o deputado federal Julio Lopes (PP-RJ). Esta nova versão não os inclui nesse recorte.

Os dados corrigidos são os seguintes: Eduardo Paes, R$ 31,65 milhões; Lindbergh Farias, R$ 5,4 milhões; Sergio Cabral, R$ 62 milhões;  Geraldo Alckmin, R$ 10,7 milhões; Julio Lopes, R$ 15,6 milhões; e Gilberto Kassab, R$ 21,25 milhões.

 

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