André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Adiamento de análise dos vetos preocupa Planalto

A avaliação de um ministro próximo a Dilma é que a nova coalizão de forças montada deveria ter prevalecido e dado ao governo a sua primeira vitória após a reforma ministerial

Tânia Monteiro e Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

06 Outubro 2015 | 17h10

Brasília - O Palácio do Planalto avaliou como "muito ruim" o cancelamento da sessão do Congresso que julgaria os vetos da presidente Dilma Rousseff. A avaliação de um ministro próximo a Dilma é que a nova coalizão de forças montada deveria ter prevalecido e dado ao governo a sua primeira vitória após a reforma ministerial. 

Apesar de uma reunião de emergência ter sido convocada com líderes da base na Câmara, outro interlocutor direto da presidente tentou minimizar o episódio e disse que o governo não iria classificar a falta de quórum como uma derrota. "Não foi como nós queríamos, mas não foi uma derrota", disse.

Segundo ele, o Planalto já havia sido avisado de que não ia ter como segurar a sessão para esperar a chegada dos parlamentares e garantir o número necessário para começar a sessão, já que, muitos deputados ainda estavam a caminho de Brasília no final da manhã desta terça-feira.

Mais cedo, apesar dos sinais de que poderia haver falta de quórum, ao comandar reunião de coordenação política, no Planalto, a presidente Dilma pediu empenho aos ministros junto às suas bancadas. Este apelo está sendo reiterado agora à tarde a todos, para que assegurem a votação da garantia da manutenção dos vetos nesta quarta-feira. O governo quer ver se consegue resolver o problema, sem arrastá-lo ainda mais, porque tem outra batalha a ser vencida, ainda na quarta-feira: o julgamento das contas no Tribunal de Contas da União (TCU).

Na reunião de coordenação, o ministro do TCU Augusto Nardes, relator das pedaladas fiscais, voltou a ser criticado pelo governo. O Planalto quer que o ministro seja considerado impedido pelas "manifestações extemporâneas" que deu não só pela imprensa, previamente condenando o governo, como fazendo reuniões com movimentos pró-impeachment, como o Vem Pra Rua.

O Planalto acha que Nardes foi além do que devia em suas afirmações, não se comportando da forma isenta, como se exige de um magistrado. Por isso, vai insistir na necessidade de seu afastamento e tentar evitar que o plenário do TCU faça a recomendação ao Congresso de rejeição das contas da presidente.

O governo sabe que esse é o pior ingrediente para recrudescer a crise política que tentou amenizar com a reforma ministerial. Sabe também que, se isso acontecer, é mais uma contribuição para as agências de classificação de risco rebaixarem a nota de investimento do Brasil. A avaliação é que, mantendo os vetos, estabiliza um pouco a situação do governo no Congresso. Com a base mapeada e mais fiel, o governo acredita que o relatório do TCU pode não encontrar apoio entre os parlamentares, o que ajuda a afastar a tese do impeachment.

Discurso. Mais cedo, no momento em que os governistas no Congresso tentavam obter quórum para abrir a sessão que colocaria em votação os vetos presidenciais, Dilma fez um apelo aos parlamentares, pedindo que as lideranças coloquem os interesses do País acima de tudo. "Para mim, um país do tamanho do Brasil, para ser democrático, tem que exercer a democracia e a capacidade de articular. Este país tem que perceber em suas lideranças quando os interesses do país devem ser colocados acima de todos interesses", disse a presidente, no final da manhã, em cerimônia no Palácio do Buriti, quando assinou decreto que beneficia as micro e pequenas empresas.

Ainda em sua fala, a presidente afirmou que é preciso passar rápido por este momento de travessia, se referindo às dificuldades econômicas que estão sendo enfrentadas pelo País. "Estamos atravessando momento em que quanto mais rápido fizermos a travessia, melhor para o Brasil, uma das pontes é simplificar e buscar trabalhar unidos pelo interesse do País", declarou.

Seca. Apesar do revés, Dilma tenta agora à tarde retomar os assuntos de governo e está comandando uma reunião sobre formas de combater a seca no País. Ao mesmo tempo, seu braço político, continua atuando para garantir os votos da bancada governista. Todos os ministros estão instruídos a trabalhar não só para garantir que naja ocorra a derrubada dos vetos, que podem levar a um rombo de mais de R$ 60 bilhões, como também para neutralizar a influência política do relatório do TCU sobre os parlamentares.

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