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Eleições 2014

Vice-presidente do PT diz que desempenho de Marina é 'espuma'

Ricardo Della Coletta - O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2014 | 19h 14

Para deputado José Guimarães, crescimento da ex-ministra ainda é reflexo da comoção causada pela morte de Eduardo Campos, mas serve de alerta: 'Dilma tem de ir para a rua'

O deputado José Guimarães, vice-presidente nacional do PT, minimizou o resultado da pesquisa do Ibope divulgada nesta terça-feira, 26, em que Marina Silva aparece com 29% das intenções de voto e Dilma, com 34% (clique aqui para ler). Segundo ele, o crescimento da ex-ministra na pesquisa ainda é reflexo da comoção causada pela morte de Eduardo Campos. Guimarães chegou a comparar a candidata com a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), que foi pré-candidata em 2002 com bom desempenho nas pesquisas, mas abandonou a disputa depois do escândalo da Lunus, empresa pertencente a seu marido, Jorge Murad. 

"Isso é normal e não se sustenta por muito tempo. É como uma espuma que se desmancha no ar porque a candidatura de Marina não é sólida, não tem base em setores da sociedade como a produção. Já vi isso acontecer antes. Vi a Roseana, em 2002, e a própria Marina, em 2010", disse ele.

O parlamentar, no entanto, disse que a pesquisa serve de alerta para a campanha de Dilma Rousseff, segundo ele, muito distante das ruas. "Não se ganha eleição trancado em um palácio. Para vencer, Dilma tem de ir para a rua e Lula precisa rodar o Nordeste", disse o deputado, que é candidato ao Senado pelo Ceará.

Já o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse nesta terça-feira que o governo não recebe nem com "nervosismo" nem com "surpresa" o resultado da pesquisa Ibope encomendada pelo Estado e pela Rede Globo. De acordo com Carvalho, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, tem "muito mais que se preocupar" com o novo cenário eleitoral. Segundo o ministro, não há hipótese de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumir a cabeça de chapa do PT.

"Penso que qualquer pesquisa neste momento tem de ser tomada como algo provisório. De 7 a 10 de setembro teremos um cenário melhor. Não tem nervosismo nem surpresa", avaliou o ministro, após dar aula inaugural no câmpus de Planaltina do Instituto Federal de Brasília. "Os tracking diários já mostravam a subida de Marina. Acho que Aécio tem muito mais que se preocupar porque pode ficar fora do segundo turno. Da nossa parte é tocar a vida", comentou o ministro.

Carvalho afirmou que não vê motivos para alterar a estratégia da campanha à reeleição de Dilma daqui pra frente. "Estratégia é ir para a TV e mostrar os nossos projetos. Temos autoridade de mostrar o que realizamos, temos condição e autoridade de falar do futuro. Mostramos capacidade efetiva de mudar a vida das pessoas e Dilma está credenciada para isso", afirmou o ministro.

Indefinido. Para o tucano Tasso Jereissati, um dos coordenadores de campanha do presidenciável Aécio Neves no Nordeste, ainda não tem nada definido para as eleições de outubro. Ele acredita que a pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira foi feita em cima de "uma comoção muito grande" provocada pela morte de Eduardo Campos.

"Em momento de comoção e toda família que passou por um momento de trauma sabe disso, depois que as coisas se acalmam, muda completamente. Temos que esperar uns dez dias para que as coisas tomem seu ritmo normal", avaliou. Questionado se haveria tempo para reverter a situação, ele disse que sim. "A campanha, infelizmente por causa de uma tragédia, só começa agora.

Ele ressaltou o plano Nordeste Forte, lançado sábado por Aécio Neves, foi muito bem recebido pela região. "O plano é muito bom. Mas mais do que o plano ser muito bom, é importante frisar que o Aécio tem um compromisso político com a região. Ele entende e sente que, realmente, o Nordeste é uma prioridade", disse Tasso Jereissati.

Coordenador da campanha de Aécio, o ex-governador Alberto Goldman afirmou que a pesquisa Ibope é uma mostra de que Dilma é a que mais perde nesta corrida eleitoral. Na mostra divulgada nesta terça, Dilma tem 34%, Marina Silva, que foi alçada à cabeça de chapa após a morte de Eduardo Campos, tem 29% e Aécio Neves 19%.

Para o ex-governador, o que mais lhe chamou atenção na pesquisa é que a soma das intenções de voto de Marina Silva e Aécio Neves, de 49 pontos porcentuais, superam muito os 34% obtidos por Dilma na mostra do Ibope. "Isso é uma prova de que Dilma foi a quem mais perdeu e mostra a inviabilidade de sua candidatura." Na sua avaliação, este cenário indica a estratégia acertada da campanha tucana em focar os ataques no governo do PT, sobretudo na gestão da presidente Dilma.

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