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Um discurso para além do tribunal

CENÁRIO: Felipe Recondo - O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2014 | 02h 09

Os ataques de Joaquim Barbosa aos colegas implodem as últimas pontes que ele mantinha no tribunal, mas moldam um discurso político às vésperas do processo eleitoral.

Barbosa está hoje entre o isolamento no Supremo e a possibilidade de se aventurar, com relativas chances de sucesso, na disputa eleitoral do Rio de Janeiro.

A nove meses de deixar a presidência do Supremo e a um mês do prazo legal para se filiar a um partido e disputar as eleições - magistrados podem fazer isso até seis meses antes do pleito -, Barbosa transformou uma derrota em palanque para falar "à Nação brasileira".

Barbosa levantou suspeitas sobre colegas, insinuou que chegaram à Corte com voto encomendado, afirmou que a maioria do tribunal atua dissimuladamente para reverter as condenações e disse que o Supremo restringe aos pobres o crime de formação de quadrilha.

Nenhum dos seus alvos quis o confronto. Ficaram visivelmente incomodados com as declarações, mas preferiram o silêncio. Sabiam que Barbosa não falava para o público interno. Seu discurso em forma de voto mirava outro público.

As expectativas sobre o futuro eleitoral de Barbosa são alimentadas pelo cortejo de partidos políticos, pelo seu discurso - popular para uns, populista para outros -, pelos seus assessores mais próximos e por suas negativas evasivas.

Da última vez em que foi confrontando com essa possibilidade, disse oficialmente que não seria candidato "à Presidência da República", mas não rejeitou outras alternativas. Nesse jogo de sinais trocados, Barbosa pode não ter achado tão triste assim a tarde de ontem.

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