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Tensão reduz chance de coligações entre siglas nos Estados

Erich Decat / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

06 Março 2014 | 02h 06

Desde início das queixas do PMDB, caíram de 16 para 5 os diretórios dispostos a fechar alianças com o PT

O endurecimento na relação entre PT e PMDB nas últimas semanas fez com que diminuísse o número de Estados em que será possível uma aliança entre as duas legendas. Assim, tornou-se majoritário o grupo de diretórios regionais que terá petistas como adversários.

Desde o início da tensão, em dezembro, caíram de 16 para apenas cinco as possibilidades de alianças regionais entre os dois partidos: Distrito Federal, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Sergipe. A convenção nacional do PMDB, que ratificará a posição da legenda em torno da aliança nacional, está marcada para junho. O número de votos desses cinco Estados chega a 103 delegados - 13,8% do total de 742 previsto para a convenção.

Em contrapartida, hoje os peemedebistas preveem enfrentar o PT em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Goiás, Mato Grosso do Sul, Roraima, Rondônia, Acre, Amazonas e Pará. A quantidade de votos que essas regiões representam é de 489. Ou seja, 65,9% dos delegados da convenção nacional podem ser peemedebistas que deverão disputar votos nas urnas contra o PT nos Estados.

Remarcação. Há ainda em jogo 150 votos de outros seis Estados onde o quadro é de total indefinição. De posse desses números e na esteira do descontentamento com o Palácio do Planalto, alguns integrantes do PMDB chegam até a ameaçar antecipar o encontro do partido para decidir os rumos da legenda para as próximas eleições. Até o momento, porém, apenas o Rio, Estado do líder do PMDB da Câmara, Eduardo Cunha, e o Rio Grande do Sul sinalizaram apoiar tal medida.

Para que ela saia do papel, é preciso apoio formal de no mínimo nove Estados. Independentemente de um encontro extraordinário, o PMDB, como os demais partidos, deverá definir oficialmente a composição das chapas entre os dias 10 e 30 de junho. É justamente o fato de o cenário interno estar cada vez mais contrário à coalizão com os petistas que faz com que a cúpula do PMDB acompanhe de perto o agravamento dos atritos entre os dois partidos.

O problema maior, apontam os peemedebistas, é que Dilma e seu governo não entregam as promessas que cumprem nos acordos feitos com o partido, como cargos do primeiro ao terceiro escalões e a liberação de emendas parlamentares. Por outro lado, avaliam que o governo trabalha predominantemente para o PT, o que torna, segundo eles, desigual a disputa política entre a base de ambos os partidos. Em 2010 o PT ultrapassou o PMDB e se tornou a maior bancada da Câmara. As previsões dos dois lados são de que, neste ano, a diferença seja ainda maior.

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