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Governos-chave

Tática do palanque duplo contra governador tucano

PT da ex-ministra Gleisi Hoffmann e Planalto incentivam candidatura de Requião (PMDB) para evitar reeleição de Beto Richa (PSDB) no Paraná

José Maria Tomazela

Acompanhada com bastante interesse pelo Palácio do Planalto, a disputa pelo governo do Paraná tem o PMDB como fiel da balança. Embora o ex-governador Roberto Requião já atuasse como pré-candidato, o partido ficou dividido e uma ala defendia que a convenção junho definisse pelo alinhamento ao governador Beto Richa (PSDB), que disputa a reeleição. A presença de Requião na cédula eleitoral deixaria a eleição menos polarizada entre o tucano e a ex-ministra da Casa Civil, senadora Gleisi Hoffmann, candidata petista.

Dida Sampaio/Estadão e Hugo Harada/Gazeta do Povo

Com o peemedebista no páreo, abre-se uma possibilidade maior de um segundo turno, avaliam políticos locais. Sem Requião, a expectativa era que a eleição para o Palácio Iguaçu ficasse dividida entre o PT de Gleisi e o PSDB de Richa, com chance do atual governador se reeleger no primeiro turno, garantindo importante votação para o presidenciável de seu partido, senador Aécio Neves (MG).

Por isso, no sexto maior colégio eleitoral do País, com 7,7 milhões de eleitores, a presidente Dilma Rousseff espera e trabalha para contar com dois palanques. O nome de Requião foi decidido em meio a uma convenção tumultuada do PMDB e a candidatura própria venceu por 319 votos contra 250 que defendiam a aliança tucana.

Não há pesquisa recente sobre intenções de voto no Paraná. A última, feita pelo Instituto Paraná Pesquisas e publicada em dezembro de 2013 pelo jornal Gazeta do Povo, apontava Beto Richa na liderança com 42%, seguido por Gleisi com 23% e Requião com 19%.

Efeito Vargas. Uma preocupação imediata do partido é evitar que os desdobramentos da Operação Lava Jato virem munição para adversários na futura campanha. As ligações do deputado André Vargas com o doleiro Alberto Youssef, preso na operação que apura esquema bilionário de lavagem de dinheiro, trouxe desconforto à candidatura da ex-ministra. Vargas, pressionado pela direção da legenda, se desfiliou do PT, mas era cotado para coordenar a campanha de Gleisi no Estado.

Mas o discurso do governador Beto Richa vai por outro caminho. Ao Estado, o tucano acusa o governo federal de “estrangular” o Paraná, com a retenção de verbas. “Somos o 5.º maior contribuinte em receitas para o governo federal, mas no recebimento de repasses somos o 23.º”, afirmou. Questionado sobre os autores do boicote, ele afirma apenas “aquele casal” – numa referência a Gleisi e seu marido, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

O PT, por sua vez, pretende atacar a administração de Richa afirmando que ele se elegeu prometendo um choque de gestão no Paraná e nada fez, segundo o presidente estadual do partido, Ênio Verri. “Enquanto falta combustível para viaturas da polícia e obras estão atrasadas por falta de pagamento, o governador aumentou em 600% o gasto com publicidade e elevou em 417%, em três anos, a folha de pagamento dos cargos políticos.”

Ainda durante a pré-campanha, Gleisi não perdia a oportunidade para fustigar o rival. Quando Richa pôs em leilão uma área de floresta com 12 mil hectares, no início do mês, a petista emitiu nota alegando que “leiloar o patrimônio ambiental do paranaense é um erro”. Ela ainda atacou a gestão do governador. “O descompasso entre despesas e receitas nas contas públicas sob a gestão da atual administração – a verdadeira causa da grande crise do governo – não pode continuar comprometendo o futuro dos paranaenses.”

Richa diz que a indústria no Paraná cresceu a uma taxa de 5% nos últimos anos, mais que o dobro da média brasileira. “Enquanto o governo federal prefere investir em Cuba, nós conseguimos atrair investimentos de R$ 30 bilhões no Estado.” Segundo ele, o Paraná é o Estado com a maior capacidade de endividamento, podendo assumir compromissos de até R$ 20 bilhões.

Governador por três mandatos, Requião também não deixa de fazer críticas à atual gestão. “Os peemedebistas de verdade estão comigo. Como é que eles poderiam aderir a um governo que não existe? Interesses pessoais estão se sobressaindo ao interesse público”, afirmou.

Asscom/Appa

Em suas gestões, Requião colecionou polêmicas, como a nomeação do irmão Eduardo para dirigir o Porto de Paranaguá, um dos principais do País. Ele ainda proibiu a exportação de soja e milho transgênicos pelo porto, provocando a ira de ruralistas. Assessores dizem que isso é passado e que ele decidiu ser candidato atendendo a apelos dos eleitores.

Richa também é acusado de nepotismo por ter transformado a própria mulher, Fernanda Richa, numa espécie de supersecretária da área social. Ela dirige a Secretaria da Família e Desenvolvimento Social, que agregou as antigas pastas do Trabalho, da Criança e da Promoção Social. O irmão dele, Pepe Richa, assumiu a Secretaria de Gestão e Logística, que abarcou as áreas de Infraestrutura, Transportes e a gestão do Porto de Paranaguá.

O governador não admite o nepotismo e diz que as duas áreas estão entre as de melhor gestão e que o gargalo no porto acabou. Filho do ex-governador José Richa, que administrou o Estado entre 1982 e 1986 e foi um dos fundadores do PSDB, o tucano é lembrado pelo estilo jovem e esportivo, semelhante ao do candidato do PSDB à presidência, o mineiro Aécio Neves.

Texto atualizado em 17.07

Ato em Curitiba reuniu 15 mil no Palácio Iguaçu

No Paraná, manifestações contra o custo do transporte e a Copa em 2013 provocaram depredações, saques e confrontos com a PM

Confrontos e vandalismo marcaram algumas das mais de 20 manifestações realizadas em 2013 no Paraná, a maioria na capital. Em junho, 15 mil pessoas foram ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual, e na Arena da Baixada, o estádio da Copa. Houve depredação de prédios, saques e, após confronto com a Polícia Militar, 30 pessoas foram presas.

Os alvos eram gastos com a Copa e o alto custo do transporte público. Três dias antes, em ato contra aumento nas tarifas, 10 mil pessoas tentaram invadir o palácio do governo e a PM interveio. Em 3 de julho os protestos migraram para as estradas do Estado – seis rodovias foram bloqueadas por caminhoneiros contra o preço dos pedágios.

Antônio More/Gazeta do Povo

Em Curitiba, escolas e hospitais pararam. Bancários, petroleiros e professores fizeram manifestações em agosto e setembro. Em fevereiro, a manifestação envolveu os professores da rede estadual, em greve para reivindicar pagamento de hora-atividade.

O governador Beto Richa (PSDB) foi à Justiça para tentar barrar o protesto, mas o pedido de liminar foi indeferido. Em 17 de março, professores municipais pararam a cidade com uma grande passeata.

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