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Sartori impede reeleição petista no Rio Grande do Sul

Peemedebista vence Tarso Genro com 61,2% dos votos e mantém a tradição gaúcha de negar segundos mandatos a governadores

Lisandra Paraguassu e Elder Ogliari - Enviados especiais a Porto Alegre, O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2014 | 18h36

Atualizado às 23h30

Eram 18h30 quando o candidato do PMDB, José Ivo Sartori, foi declarado matematicamente eleito no Rio Grande do Sul, confirmando a história gaúcha de jamais reeleger um governador.

Encerrada a apuração, meia hora depois, os números confirmaram a diferença de 1,2 milhão de votos à frente do governador Tarso Genro (PT), com o peemedebista alcançando 61,21% dos votos válidos. Azarão durante o primeiro turno, Sartori cresceu nos últimos momentos da eleição, terminando à frente de todos os demais candidatos e se beneficiando de um sentimento antipetista que se fortaleceu entre os gaúchos nos últimos meses.

Logo depois de anunciado o resultado, Tarso Genro ligou para Sartori reconhecendo a derrota e cumprimentando-o pela vitória, além de oferecer uma equipe da Casa Civil para iniciar o processo de transição.

“Recebi o telefonema como uma delicadeza importante. O fiz saber que ficava gratificado. Sempre disse que adversário não é inimigo”, disse Sartori em sua primeira entrevista depois de anunciada sua eleição.

Ex-vereador, deputado estadual por cinco mandatos, deputado federal e ex-prefeito de Caxias do Sul, Sartori não queria nem mesmo ser candidato, mas cedeu aos apelos do partido, que pretendia apresentar candidato próprio.

Muito bem avaliado em Caxias do Sul, Sartori era o nome possível para o partido, que teve José Fogaça, ex-prefeito de Porto Alegre, derrotado no primeiro turno por Tarso Genro em 2010, mas iniciou a campanha com 4% nas pesquisas.

O resultado final marca mais uma derrota para o PT em um dos seus locais de tradicional votação, em uma eleição onde o partido esteve atrás quase todo o tempo.

Já no início do processo, Tarso Genro perdia para a Ana Amélia Lemos (PP) com uma grande diferença. No entanto, uma bem-sucedida estratégia de ataques à senadora terminaram por fazer migrar seus votos para Sartori, em um movimento não previsto pela campanha de Tarso, que ignorava o PMDB como força política no Estado - apesar de sua enorme influência no interior - e acreditava que ele não teria tempo de chegar de crescer o suficiente para passar para o segundo turno.

Tarso passou a encarar a segunda etapa como uma nova eleição, mas o governador tinha, desde o início, uma missão quase impossível: trazer para si votos que eram claramente dados ao seu opositor com a intenção de tirar o PT do governo.

Discurso. Os números finais mostram que Tarso obteve apenas 6,4 pontos porcentuais a mais do que no primeiro turno - possivelmente uma parte dos eleitores de PDT, PSol -, enquanto Sartori aumentou em 21 pontos sua votação inicial, possivelmente quase todos os votos de Ana Amélia, que fez 21,8% no primeiro turno.

Eleito com um discurso de pacificação do Estado e o slogan “Meu Partido é o Rio Grande”, Sartori fez questão de repetir em sua entrevista que pretende unir o Estado e fazer um governo “simples, honesto e eficiente”. “A primeiro coisa que devemos fazer é constituir uma equipe técnica, com postura, que saiba dialogar com todos os setores da sociedade”, afirmou.

O governador derrotado, Tarso Genro, ainda não tinha falado até o fechamento dessa edição.

Com uma dívida de R$ 50 bilhões e um déficit perto dos R$ 4 bilhões, o Estado tem uma das piores situações financeiras do País. As contas públicas explicam o porquê de os gaúchos nunca terem reelegido um governador desde a instituição da reeleição, em 1997. A cada quatro anos, uma nova tentativa é feita para encontrar quem consiga sanar as finanças estaduais.

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