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Renovação do Senado opõe PT e PMDB

Ricardo Brito - O Estado de S.Paulo

17 Março 2014 | 02h 07

Bancada petista tem menos parlamentares em fim de mandato e espera superar aliado

BRASÍLIA - A exemplo dos planos para a Câmara dos Deputados, o PT quer ampliar sua bancada de senadores nas eleições de outubro e trabalha inclusive para superar o PMDB em número de parlamentares. Se isso ocorrer, o partido da presidente Dilma Rousseff não só ampliaria sua participação nas comissões da Casa, como poderia também pleitear a presidência do Senado. A legenda do vice-presidente Michel Temer, por sua vez, tenta manter a posição de maior bancada e preservar o posto que desde 2001 vem sendo ocupado por um senador peemedebista.

A renovação no Senado nestas eleições será de um terço das 81 cadeiras - cada um dos 26 Estados e o Distrito Federal vão escolher um novo parlamentar. O problema para o PMDB é que, de seus atuais 20 senadores, 7 estão em fim de mandato. Na bancada de 13 integrantes do PT, apenas 3 vão completar oito anos de mandato em janeiro de 2015. A posse dos parlamentares eleitos em 5 de outubro será em 1.º de fevereiro.

A tradição no Senado é que o partido de maior bancada tenha a prerrogativa de ocupar a Presidência da Casa. O posto ganha importância porque se acumula com o de presidente do Congresso, que tem o poder de convocar as sessões conjuntas de deputados e senadores. Como o Congresso aprovou recentemente a votação aberta para os vetos presidenciais, o controle dessas convocações é de interesse do Palácio do Planalto.

Na avaliação de senadores petistas, o partido aliado que tem complicado a vida de Dilma na Câmara terá mais dificuldades para manter o tamanho atual de sua bancada. Além disso, o PMDB se queixa de que tem sido sufocado pela legenda da presidente nos Estados, o que afetaria não só a manutenção da bancada de deputados - é com base no número de integrantes da Câmara que é calculado o tempo de propaganda no rádio e na TV e os repasses do Fundo Partidário -, como a eleição de governadores e senadores.

Renovação. Embora a prioridade do PT seja eleger o maior número de governadores em outubro, decisão que está no seio da disputa entre as duas legendas, o partido também está de olho na ampliação e renovação da bancada do Senado. Se conseguir ganhar mais espaço na Casa, os petistas querem reduzir a dependência do governo em relação à base aliada e ao PMDB nas comissões, também divididas proporcionalmente, de acordo com o tamanho das bancadas.

O PT aposta em nomes como o do atual governador da Bahia, Jaques Wagner, para aumentar sua bancada. Se o petista sair candidato ao Senado e for eleito, ocupará a cadeira do senador João Durval, do PDT, partido aliado de Dilma. No Pará, um dos nomes cotados é o do ex-deputado Paulo Rocha, que em 2012 foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão.

Em Santa Catarina, o presidente do diretório estadual, deputado Cláudio Vignatti, pode entrar pela disputa da cadeira que hoje é ocupada pelo peemedebista Casildo Maldaner.

O PMDB, por sua vez, espera manter a maior bancada da Casa e continuar no posto que ocupa quase ininterruptamente desde 2001. De lá para cá, só houve interrupção quando o de novo presidente Renan Calheiros (AL) renunciou ao cargo, em 2007. Em 2015, Renan pretende disputar a reeleição para o comando do Senado.

Se o número de senadores do PT superar o do PMDB, a bancada já tem um nome para suceder a Renan: o atual vice-presidente da Casa, Jorge Viana (AC). / COLABOROU DAIENE CARDOSO

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