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Eleições 2014

Renata Campos diz que fará campanha 'por dois'

Ângela Lacerda, Ricardo Brandt e João Domingos - O Estado de S. Paulo

18 Agosto 2014 | 14h 19

Viúva de ex-governador promete empenho em Pernambuco, mas sofre pressão por parte dos aliados para assumir posto de vice de Marina

Atualizado em 19.08

RECIFE - Em seu primeiro teste como líder nacional do PSB, a viúva de Eduardo Campos, Renata, fez nesta segunda-feira, 18, no Recife um discurso para cerca de 5 mil correligionários no qual afirmou que, com a morte do marido, fará campanha "por dois". Disse ainda que ela e os filhos terão "coragem para mudar o Brasil", em referência ao mote usado na campanha presidencial de Campos.

Renata está sendo pressionada por aliados para se tornar candidata a vice na chapa de Marina Silva, que vai assumir a cabeça de chapa com a morte de Campos. Ela foi sondada no domingo, logo depois da missa de corpo presente de Campos, mas alegou que precisa amamentar o filho de sete meses e ainda dar suporte emocional aos outros quatro filhos. A cúpula do PSB voltou ao assunto ontem. Renata pediu para pensar.

Para a cúpula do PSB, é importante que a viúva do ex-governador aceite a vice porque ela é considerada a única pessoa do partido que poderia fazer valer os compromissos firmados anteriormente entre Campos e Marina, entre eles os acordos regionais do PSB. Se a viúva não aceitar o convite, o nome favorito para assumir a vaga é o do deputado federal Beto Albuquerque, líder do PSB na Câmara. A decisão será tomada hoje. Amanhã, será oficializada a candidatura de Marina.

Leitura. O encontro desta segunda teve objetivo de unir aliados em torno da candidatura de Paulo Câmara, nome escolhido por Eduardo Campos para lhe suceder em Pernambuco. Câmara vem obtendo fraco desempenho nas pesquisas - tem 13% das intenções de voto contra 47% do adversário Armando Monteiro (PTB). O temor é de que ele perca apoio após a morte do padrinho político.

"Pode parecer que nosso maior guerreiro não está na luta. Mas seus sonhos estarão sempre vivos em nós. Fica tranquilo, Dudu, teremos a sua coragem para mudar o Brasil", disse Renata. Os presentes reagiram aos gritos de "Renata, guerreira, do povo brasileiro" - o mesmo coro foi exaustivamente repetido no dia anterior, durante o enterro do ex-governador de Pernambuco, mas com ele como personagem da frase.

Em uma fala rápida, na qual usou o próprio telefone celular como cola para ler o discurso escrito, Renata evitou falar diretamente da disputa nacional e não citou o nome de Marina. "Como participei a vida toda de campanhas, não será diferente nessa. Pelo contrário, tenho a sensação de que tenho de participar por dois", afirmou a viúva.

Para o presidente do PSB em Pernambuco, Seleno Guedes, Renata deixou claro que, no Estado, ela terá atuação efetiva na campanha do partido.

O evento estava marcado para as 10h, mas começou com duas horas de atraso. A reunião de ontem havia sido convocada por Campos para cobrar maior empenho da militância na campanha de Câmara.

A viúva chegou aos gritos de "Renata vice" e foi apresentada no palanque pelo presidente do PSB, Roberto Amaral, como "a maior liderança do partido" hoje - depois de seu marido, que governou Pernambuco por dois mandatos, e Miguel Arraes, avô de Campos. Ela também foi saudada por um "parabéns" - ontem Renata completou 48 anos.

Luto eleitoral. O encontro estava marcado para domingo, dia do sepultamento, mas foi adiado a pedido de Renata. A mobilização encabeçada pela viúva marcou a largada para o reinício da campanha eleitoral em Pernambuco, que estava suspensa desde a morte de Campos, na quarta-feira. "A campanha está sendo retomada hoje (ontem) e, a partir de agora, vamos para a rua com força total para manter vivo esse sonho", disse Seleno Guedes.

Nas ruas, comitês do partido e aliados já estavam abertos nesta segunda, apesar das faixas de luto terem sido mantidas. As atividades de rua devem ser retomadas nesta terça, 19, e uma caminhada da Frente Popular está marcada para quarta, 20, com a presença de Renata, parte dos filhos e dos candidatos ao governo, Paulo Câmara, a vice, Raul Henry, e ao Senado, Fernando Bezerra.

A campanha do adversário direto do PSB, Armando Monteiro, decretou na quarta-feira sete dias de luto e determinou a retirada de todo material de rua. Nesta segunda o candidato e coordenadores da coligação convocaram reunião de última hora, durante a noite, para discutir a retomada dos trabalhos de rua antes do prazo. Eles também decidiram discutir o que fazer em relação à campanha na TV, que começa hoje e tem prevista uma homenagem a Campos.

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