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Rede de Marina racha e grupo diz que foi erro recomendar voto em Aécio

- Atualizado: 10 Outubro 2014 | 19h 55

Membros afirmam que melhor alternativa seria não ficar ao lado de nenhum candidato e que apoio a tucano é fim da 'nova política'

Um grupo de dissidentes da Rede Sustentabilidade, partido que Marina Silva tentou criar no ano passado, classificou como "grave erro político" a declaração de apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência. Segundo eles, a aliança com o tucano representará o fim da nova política.

Um texto redigido por integrantes da Executiva Nacional nesta sexta-feira, 10, começou a circular entre os marineiros e aponta para um racha no grupo. A nota defende que o melhor caminho neste 2º turno é a Rede se declarar independente e não recomendar voto nem em Aécio nem na presidente Dilma Rousseff (PT).

Na quinta-feira, a Rede divulgou uma nota em que indicava que seus militantes podiam escolher entre votar em Aécio, branco ou nulo. O texto admitia, porém, que diante da derrota de Marina nas urnas, tanto a candidatura do tucano quanto a da petista não representavam uma solução satisfatória para o desejo de mudança manifestado pela população.

Rede Sustentabilidade, grupo criado por Marina Silva, estaria rachado após liberação de voto em Aécio
Rede Sustentabilidade, grupo criado por Marina Silva, estaria rachado após liberação de voto em Aécio

Diante da resistência do seu grupo, a ex-candidata, que teve quase 22 milhões de votos, tem condicionado o apoio a Aécio a mudanças no programa de governo do tucano. Entre os pontos que precisariam ser revistos está a defesa da redução da maioridade penal para crimes hediondos. O candidato também teria de fazer um aceno à esquerda, com apoio à reforma agrária e às causas indígenas.

Essas mudanças, porém, não são consideradas suficientes pelo grupo de dissidentes. "Constitui-se grave erro político a declaração de voto e a adesão à campanha de Aécio Neves. Nenhuma modificação formal no programa eleitoral de Aécio transformará a natureza de sua candidatura, que não se constitui de palavras, mas de atos de história concreta que indicam sua integração orgânica à desconstituição de direitos, aos ruralistas e ao capital financeiro", diz o texto.

A nota também afirma que, como a candidatura de Marina se pautou na ideia da terceira via, para quebrar a polarização entre o PT e o PSDB, o apoio a Aécio seria incoerente e colocaria em risco o projeto da nova política representado pela Rede.

"Ser parte da polarização PT X PSDB é sepultar a luta por uma nova política. É também o sepultamento do projeto original da Rede Sustentabilidade, que nasceu com o propósito maior de estimular a emergência dos sujeitos autorais, dos indivíduos livres e conscientes, que não se dispõem a realizar suas mais legitimas aspirações e interesses no âmbito da velha, estagnada e conservadora política que tanto PT quanto PSDB representam e praticam."

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