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Rede de Marina racha e grupo diz que foi erro recomendar voto em Aécio

Membros afirmam que melhor alternativa seria não ficar ao lado de nenhum candidato e que apoio a tucano é fim da 'nova política'

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Isadora Peron,
O Estado de S. Paulo

10 Outubro 2014 | 19h44

Um grupo de dissidentes da Rede Sustentabilidade, partido que Marina Silva tentou criar no ano passado, classificou como "grave erro político" a declaração de apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência. Segundo eles, a aliança com o tucano representará o fim da nova política.

Um texto redigido por integrantes da Executiva Nacional nesta sexta-feira, 10, começou a circular entre os marineiros e aponta para um racha no grupo. A nota defende que o melhor caminho neste 2º turno é a Rede se declarar independente e não recomendar voto nem em Aécio nem na presidente Dilma Rousseff (PT).

Na quinta-feira, a Rede divulgou uma nota em que indicava que seus militantes podiam escolher entre votar em Aécio, branco ou nulo. O texto admitia, porém, que diante da derrota de Marina nas urnas, tanto a candidatura do tucano quanto a da petista não representavam uma solução satisfatória para o desejo de mudança manifestado pela população.

Diante da resistência do seu grupo, a ex-candidata, que teve quase 22 milhões de votos, tem condicionado o apoio a Aécio a mudanças no programa de governo do tucano. Entre os pontos que precisariam ser revistos está a defesa da redução da maioridade penal para crimes hediondos. O candidato também teria de fazer um aceno à esquerda, com apoio à reforma agrária e às causas indígenas.

Essas mudanças, porém, não são consideradas suficientes pelo grupo de dissidentes. "Constitui-se grave erro político a declaração de voto e a adesão à campanha de Aécio Neves. Nenhuma modificação formal no programa eleitoral de Aécio transformará a natureza de sua candidatura, que não se constitui de palavras, mas de atos de história concreta que indicam sua integração orgânica à desconstituição de direitos, aos ruralistas e ao capital financeiro", diz o texto.

A nota também afirma que, como a candidatura de Marina se pautou na ideia da terceira via, para quebrar a polarização entre o PT e o PSDB, o apoio a Aécio seria incoerente e colocaria em risco o projeto da nova política representado pela Rede.

"Ser parte da polarização PT X PSDB é sepultar a luta por uma nova política. É também o sepultamento do projeto original da Rede Sustentabilidade, que nasceu com o propósito maior de estimular a emergência dos sujeitos autorais, dos indivíduos livres e conscientes, que não se dispõem a realizar suas mais legitimas aspirações e interesses no âmbito da velha, estagnada e conservadora política que tanto PT quanto PSDB representam e praticam."