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'Quem não fez não pode se comparar conosco', diz Dilma

Elder Ogliari - O Estado de S. Paulo

23 Agosto 2014 | 12h 18

Em discurso na cidade de Porto Alegre, presidente lembra época da ditadura quando era torturada e compara programas sociais dos governos petistas com anteriores

PORTO ALEGRE - A presidente Dilma Rousseff admitiu que o acesso às especialidades ainda é um “problema grave” da saúde  pública, provocou os adversários dizendo que eles não podem se comparar ao governo e afirmou que acreditar no País é obrigação dos brasileiros em regime democrático durante discurso para cerca de 200 apoiadores neste sábado, no Centro de Eventos do Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre.

Dilma insistiu nas comparações entre os programas sociais, investimento e política econômica dos governos petistas, iniciados com Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, e os anteriores. Ao prever que o País terá de fazer muito mais investimentos do que já vem fazendo, a presidente provocou. “Nós fizemos, quem não fez não pode se comparar conosco”, reiterou.

O ato político suprapartidário reuniu prefeitos, vice-prefeitos e vereadores de partidos que estão na campanha da presidente e também dissidências de concorrentes. Além do PT, estavam presentes filiados ao PMDB, PROS, PTC, DEM, PRB, PSB, PPL, PP, PTB, PDT e PR.

Dirigindo-se ao público, formado por prefeitos, vice-prefeitos e candidatos a cargos eletivos neste ano, Dilma destacou a participação dos municípios nos programas sócias, sustentando que iniciativas como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e o Mais Médicos, entre outros, só funcionam com a participação das prefeituras.

Enquanto citava a contratação de 14,4 mil médicos para dar assistência básica a 50 milhões de brasileiros, Dilma reconheceu que o País ainda tem de resolver o “problema grave” do acesso às especialidades. “Ainda temos de dar muitos passos para criar um sistema de saúde de qualidade; temos de enfrentar o problema do acesso às especialidades, ao médico do coração, ao médico do pulmão, aos exames laboratoriais”, avaliou, para afirmar que já foi dado “um passo imenso” com o Mais Médicos.

Em diversos momentos do discurso de 35 minutos, a presidente comparou as ações dos governos petistas, iniciados com Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, com os anteriores e rebateu os críticos da gestão atual.

“Antes da Copa do Mundo difundiram que o Brasil não tinha condições de fazer uma Copa à altura do Pais. Mentira! Fizemos a Copa das Copas e quem fez foi o governo federal e os governos estaduais, prefeituras de cidades-sede e o povo brasileiro, que deu show. Nós ganhamos de goleada fora do campo, infelizmente perdemos no campo”, comentou, sobre o maior evento do futebol mundial.

“Eles diziam que fazer o Pólo Naval era ideia mirabolante, hoje temos quatro estaleiros no Rio Grande do Sul”, prosseguiu. Na sequência, Dilma repetiu a acusação que vem fazendo, sem citar nome, ao governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), de ter quebrado o Brasil três vezes diante de crises internacionais por não ter reservas financeiras suficientes e seguir o receituário recessivo de cortar salários e empregos e aumentar tributos e tarifas.

Dilma sustentou que nas gestões petistas o Brasil aumentou suas reservas de US$ 38 bilhões para US$ 380 bilhões e pode “se dar ao luxo absoluto” de enfrentar a atual crise financeira internacional “garantindo emprego, assegurando salário e investindo em infraestrutura”.

A presidente previu ainda que o Brasil terá um novo ciclo de crescimento, que “foi plantado agora” com o ensino profissionalizante do Pronatec, concessões rodoviárias, ferroviárias, aeroportuárias e portuárias e investimentos em mobilidade urbana. Prevendo a necessidade de mais investimentos no futuro, Dilma voltou a cutucar os concorrentes afirmando que é mais habilitada a tocar os projetos. “Nós fizemos; quem não fez não pode se comparar conosco”, reiterou.

No discurso, Dilma voltou a manifestar convicção de que a corrida eleitoral vai mostrar aquilo que a população ainda não sabe das realizações de seu governo. “Essa campanha vai colocar a verdade contra a desinformação, a ocultação de informações e a mentira a respeito do que fez o governo federal”, comentou. “Quando o Lula venceu pela primeira vez  era a esperança venceu o medo, agora é a verdade vai vencer a mentira e a desinformação”.

Ao final, Dilma conclamou o público ao otimismo. “Nós acreditamos no Brasil dentro da cadeia, sendo torturados”, lembrou, sobre os tempos em que ficou presa por combater a ditadura militar. “Acreditar no Brasil na democracia é obrigação do cidadão brasileiro”, concluiu.

Petrobrás. Além do encontro com os apoiadores de diversos partidos, Dilma programou uma visita à  BR-448, na região metropolitana de Porto Alegre, para este sábado. Ao deixar o evento, a presidente concedeu rápida entrevista coletiva, na qual foram admitidas apenas duas perguntas. Uma delas, sobre o que achava do acordo de delação premiada feito pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, nem foi respondida. “Não tenho o que comentar sobre essa questão, não tenho a menor ideia de qual é o acordo entre aqueles interessados”, justificou Dilma.  Depois, ao responder à segunda, Dilma explicou que o governo federal está avaliando se é melhor ampliar a Aeroporto Salgado Filho, de Porto Alegre, ou construir um novo, na região metropolitana, para atender a demanda futura.