Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Política

Política » Queda do PIB deixa Dilma vulnerável, avaliam especialistas

Eleições

Queda do PIB deixa Dilma vulnerável, avaliam especialistas

Resultado da economia brasileira divulgado nesta sexta vai, segundo cientistas políticos, servir de munição para adversários e pode favorecer Marina

0

Stefânia Akel,
Agência Estado

29 Agosto 2014 | 11h46

São Paulo - A queda de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deve gerar impactos para a campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição. Na avaliação de especialistas, o índice vai abastecer as campanhas adversárias e pode contribuir para o desempenho de Marina Silva (PSB) em futuras pesquisas de intenção de voto.

Para Marco Antônio Carvalho Teixeira, cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas, o cenário deixa a campanha de Dilma mais vulnerável. "Ela vai ter que ser forçada a se explicar", afirmou, destacando que a economia talvez seja o ponto mais vulnerável da petista. "Os adversários já vinham batendo nela sobre a capacidade de tocar a política econômica." Para o analista, Dilma adotará o mesmo discurso da crise internacional, pois ela não tem saída. "Ela vai dizer que poderia estar pior e que o cenário para os próximos meses é de recuperação", avaliou.

Teixeira afirmou que alguns economistas também preveem uma melhora nos próximos meses, como consequência das medidas setoriais que o governo vem tomando. "Mesmo assim, o PIB vulnerabiliza a Dilma ainda mais e vai desconstruindo o discurso da equipe econômica de um segundo semestre forte", disse, acrescentando que isso complica ainda mais a relação da campanha petista com os agentes econômicos e deve se refletir na dificuldade de captação de recursos.

Segundo ele, "não tem como" a desaceleração e a recessão não estarem na agenda das campanhas. Para Teixeira, isso ocorrerá em um primeiro momento nos programas eleitorais e deve culminar no debate que será promovido pelo SBT na próxima segunda-feira, 1º de setembro.

O cientista político avaliou também que o resultado ruim não deve se refletir muito objetivamente nas pesquisas de intenção de voto, uma vez que o cenário ainda não afeta significativamente a renda e o emprego. "Se a economia desacelera, o mercado de trabalho vai sentir em breve, mas provavelmente depois das eleições. Silenciosamente, sabemos que já tem setores da indústria mandado funcionários para casa", afirmou, citando a General Motors como exemplo. "Alguns setores estão simplesmente demitindo. Se não houver um reaquecimento logo sentiremos isso no final do ano."

Jogo contra. A recessão técnica é mais um fator que "joga contra" a campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), na avaliação do cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria Integrada. Segundo ele, o cenário mais provável é de que isso contribua para manter a petista atrás de Marina Silva (PSB) nas intenções de voto para o segundo turno.

Apesar do cenário mais negativo, Cortez afirma que a queda de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano, na comparação com os três meses anteriores, não deve derrubar as intenções de voto na presidente, uma vez que o mercado de trabalho continua "razoavelmente positivo". "A intenção de voto na Dilma está muito próxima do patamar de ótimo e bom. Esse eleitorado não deve mudar em função do resultado", apontou.

Segundo ele, a parcela de eleitores que avalia o governo Dilma como regular pode acabar sendo mais influenciada pelo cenário. Na última pesquisa Ibope, esse eleitorado representava 36% dos entrevistados, enquanto 34% avaliaram a gestão como boa ou ótima.

Dilma deve ser cobrada pelo resultado no debate promovido pelo SBT na próxima segunda e Cortez avalia que a tendência é de que ela mantenha a mesma retórica para explicar o resultado ruim e a recessão técnica, afastando-se dos fatores domésticos e repetindo o discurso sobre a crise internacional. "Isso embora os dados desmintam esse diagnósticos. Se compararmos o crescimento brasileiro ao longo do mandato de Dilma com os demais países parceiros da região, veremos um quadro em que o Brasil cresce abaixo da média, o que configura esse quadro eleitoral muito disputado", afirma.

Mais conteúdo sobre:

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.