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Queda consistente

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JOÃO BOSCO RABELLO

Alguns elementos importantes ainda permanecem ausentes da pré-campanha presidencial desautorizando projeções afirmativas sem riscos de erro.

Entre eles, o contexto em que se realizará a Copa do Mundo, a propaganda no rádio e na televisão, os desdobramentos dos enredos de corrupção e a velocidade da crise econômica.

Todos eles, no entanto, giram em torno da presidente Dilma Rousseff como ameaças à sua reeleição e como expectativas positivas para a oposição.

A visibilidade que falta para os candidatos de oposição sobra ao governo, mas a vantagem que representava para a presidente Dilma Rousseff se converteu em problema, desde que a natural exposição do cargo ficou vinculada a uma agenda negativa que a mantém em queda contínua, a sugerir um ponto de não retorno.

As pesquisas recentes, especialmente a última, do Ibope, registram esse declínio, indicando que se a oposição não conseguiu ainda a visibilidade necessária, a percepção do eleitor em relação aos aspectos negativos do governo aumentou o suficiente para fixar a presidente no patamar histórico de risco para candidatos à reeleição (34%).

A circunstância desfavorável de Dilma é a promissória que o PT emitiu em 11 anos de um governo farto na reafirmação de direitos civis já contemplados constitucionalmente, sem a contrapartida da gestão mínima em setores essenciais, como infraestrutura, saúde, educação e segurança pública.

O discurso anestésico dos direitos acima dos deveres, que funcionou na fase da bonança econômica, perde seu efeito com o declínio econômico, do qual é síntese a inflação crescente, e com a crise urbana que mobilizou as multidões nas ruas em junho do ano passado com seu auge previsto para a Copa.

O governo se empenha em administrar o tempo, submetido à realidade de que para as queixas das ruas não há resposta rápida, pois se trata de uma demanda reprimida que desconsiderou por uma década.

O aparelhamento do Estado, que já gerara o mensalão, expõe novamente sua face corrupta na crise da Petrobrás, com o peso do simbolismo da empresa para o País, que pode ter numa CPI agravante decisiva.

Ao governo parece, até aqui, restar como único trunfo o fator Lula, já arrefecido no vigor eleitoral de outrora, ainda que indiscutivelmente forte.

Nesse contexto, não parece mais viável que migre de cabo eleitoral para candidato, dadas as dificuldades políticas para a mudança e os riscos que representa para sua biografia política a gestão recessiva incontornável em 2015.

Por ora, a queda consistente revoga o favoritismo de Dilma.

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