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PT tenta polarizar com tucanos para usar FHC

O Estado de S.Paulo

23 Março 2014 | 02h 06

O PT sabe das intenções da oposição e prepara vacinas contra o discurso dos adversários. Contra o PSDB, serão rememorados os discursos bem-sucedidos das duas últimas eleições. Em 2006, Lula acusou o então adversário, o hoje governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), de desejar a privatização da Petrobrás.

Em 2010, a descoberta do pré-sal e um novo marco regulatório com a estatal em papel de liderança eram os argumentos de Dilma para enfatizar o sucesso petista. No governo Dilma, porém, a autossuficiência foi perdida, em 2011, e o modelo para o pré-sal passou a ser questionado após o campo de Libra ter um leilão no qual apenas um consórcio participou. A saída mais viável, segundo petistas, é colocar que os recursos do pré-sal serão destinados para áreas sociais, como educação e saúde, conforme projeto aprovado em 2013.

Já para enfrentar os eventuais ataques de Eduardo Campos (PSB), a ideia é lembrar que ele participou, até setembro de 2013, do governo Dilma e, consequentemente, foi complacente com todos os atos do governo, inclusive os ligados à Petrobrás. Campos foi ministro de Ciência e Tecnologia de Lula.

Na área da energia, os petistas falam em relembrar a crise energética do governo Fernando Henrique Cardoso, conhecido como apagão de 2001.

Buscando a polarização com o PSDB, os petistas consideram que os tucanos tentam criar uma "cortina de fumaça" levando o tema para o debate eleitoral e insistem que os aliados do possível candidato à Presidência, o senador Aécio Neves, são "especialistas em apagão".

"Vamos continuar dizendo que eles são especialistas em apagão", afirmou o vice-presidente do PT, Alberto Cantalice.

O dirigente disse que o partido pode usar até a crise no principal sistema de abastecimento de água de São Paulo, o Cantareira, para rebater as críticas dos tucanos e confrontar assim a gestão tucana no Estado. "Não vai ter (no País) o que teve no governo FHC, que foi aquele apagão vergonhoso", insistiu.

A cúpula do PT acredita que o cenário de escassez de chuvas e o ambiente econômico deve melhorar até o período da campanha eleitoral. Por isso, não deverá haver alteração na estratégia da campanha presidencial. "Vamos contabilizar o País do pleno emprego, da distribuição de renda e do não-apagão", disse o deputado José Guimarães (CE).

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou que o repasse às contas de luz ainda não está fechado e que o custo pode ser ainda menor que o estimado com as chuvas que são esperadas nos próximos meses. Ele rebateu as críticas da oposição de que o governo fez "marketing" ao anunciar o aumento da tarifa e agora anunciar a possibilidade de reajuste em 2015. Segundo o senador, indústria e consumidor foram beneficiados com a medida na época. / DAIENE CARDOSO, I.P. e P.V.

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