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PT prega discurso radicalizado para reeleger Dilma

Ricardo Galhardo, Vera Rosa e Erich Decat - O Estado de S. Paulo

21 Junho 2014 | 03h 00

Sigla admite disputa mais difícil desde 2002, aposta na polarização contra tucanos e vai adotar slogan ‘Mais Mudanças, Mais Futuro’

Depois de abafar o coro do “Volta, Lula”, o PT vai oficializar neste sábado, 21, a candidatura da presidente Dilma Rousseff ao segundo mandato numa convenção que será pontuada pela radicalização do discurso contra os tucanos. Na mais difícil disputa presidencial desde 2002, o partido adotará o slogan “Mais Mudanças, Mais Futuro”, que aparecerá em um painel verde e amarelo. Com esse mote, Dilma dirá que só quem fez no passado tem credibilidade para fazer mais de agora em diante. 

Ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu padrinho e fiador, a presidente tentará recuperar a popularidade sendo porta-voz da estratégia do “nós contra eles”, que pretende carimbar o PSDB como partido das elites.

Um dos banners da convenção mostrará Lula e Dilma sorridentes, com os braços erguidos, em um fundo vermelho, a cor do PT. Caberá ao ex-presidente, porém, os ataques mais fortes à legenda do adversário Aécio Neves. “Já se tornou lugar-comum dizer que esta eleição será a mais dura, a mais difícil de todas. E os fatos mostram que sim”, dirá neste sábado o presidente nacional do PT, Rui Falcão.

Erick Decat/Estadão
Na convenção petista, em Brasília, slogan aparece em fundo verde e amarelo

Em seu discurso, Falcão vai criticar os tucanos e defender o que chama de “democratização” da mídia. “Já vencemos o medo com a esperança. Agora, vamos renovar as esperanças do povo para vencer o ódio, o rancor, o preconceito, o racismo, a violência, o machismo, a homofobia, o fundamentalismo.”

A convenção deste sábado em Brasília foi preparada para ser uma festa que sacramentará a candidatura de Dilma, tendo novamente Michel Temer (PMDB) como vice da chapa. 

Aos gritos de “1,2,3, é Dilma outra vez”, a presidente será recebida com um desagravo, em repúdio às vaias e aos xingamentos dirigidos a ela na abertura da Copa do Mundo, em São Paulo. “O tiro saiu pela culatra. Nossa presidenta foi cercada, sim, pela solidariedade unânime dos que condenam a violência, a vilania, as proclamações de ódio”, destacará Rui Falcão. 

Alianças. No governo, Dilma teve uma relação de conflito com sua base de sustentação no Congresso. Depois de reabilitar defenestrados pela faxina ética de 2011 e distribuir cargos, porém, ela conseguiu fechar alianças com nove partidos, entre eles o PSD de Gilberto Kassab, que estará na convenção.

Além do discurso mais radical, o PT quer reeditar o clima de 1989, quando Lula disputou pela primeira vez o Planalto. Em reunião do diretório nacional, nesta sexta, Falcão disse que é preciso retomar o entusiasmo e a paixão daquela época. “O PT fez o diagnóstico correto sobre as dificuldades dessa campanha, mas ainda não conseguimos afinar a posição”, resumiu o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Dilma chega a esta eleição com a aprovação do governo em queda e problemas para formar palanques estaduais. Na quinta-feira, pesquisa Ibope mostrou que a confiança na presidente caiu de 48% para 41%. Mesmo assim, ela está bem à frente de seus adversários, com 39% das intenções de voto - Aécio tem 21% e Eduardo Campos (PSB), 10%. 

Em reuniões reservadas, o marqueteiro João Santana, responsável pela propaganda de TV de Dilma, diz que “o pior já passou”. Para coordenadores da campanha, ela enfrentou um “coquetel maldito” que está prestes a se diluir. O inferno astral seria formado por picos de inflação, questionamentos sobre a capacidade administrativa de Dilma na polêmica compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela Petrobrás, condenação de petistas históricos no mensalão e protestos contra gastos da Copa. / COLABOROU RICARDO DELLA COLETTA

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