Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

PT encolhe, e PSDB é o que mais cresce em todo o Brasil

O partido do ex-presidente Lula sofreu sua maior derrota em eleições municipais, e elegerá menos prefeitos do que há 12 anos

O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2016 | 05h00

O PT foi o maior derrotado das eleições deste domingo. O partido, que desde sua criação sempre cresceu em número de eleitos a cada disputa municipal, teve um retrocesso significativo e terá em 2016 menos vitórias que em 2004.

Até as 21h30 de domingo, havia 204 petistas eleitos em um universo de 4.948 cidades com a apuração encerrada. Ainda havia 620 municípios com a contagem em andamento.

Com esse resultado parcial, o partido estava elegendo apenas 4% dos prefeitos do País. Nas eleições de 2012, a taxa foi quase o triplo disso: 11,5%.

Outra medida que dá uma ideia do tamanho do recuo petista é a queda do partido no ranking dos eleitos. Há quatro anos, o PT estava na terceira colocação, atrás apenas do PMDB e do PSDB. Neste ano, deve cair para o décimo lugar, atrás até do DEM, um dos partidos que mais encolheram nas últimas décadas.

A derrocada do PT foi especialmente forte nas capitais. Neste domingo, o partido conquistou apenas Rio Branco, com Marcus Alexandre, que se reelegeu. Para o segundo turno, o PT se classificou apenas em Recife, com o ex-prefeito João Paulo.

O PMDB certamente manterá a posição de primeiro colocado no ranking. Até as 21h30 de ontem, o partido havia conquistado 951 prefeituras e estava a caminho de superar o resultado de 2012 (1.021). Do total das cidades com apuração encerrada, em 19% havia um peemedebista vitorioso. Em relação ao resultado de quatro anos atrás, houve crescimento de um ponto porcentual.

O segundo colocado no ranking também permanecerá o mesmo de 2012: o PSDB. Mas houve um crescimento significativo do partido, que elegeu 695 prefeitos há quatro anos e, em 2016, deve se aproximar de 800.

O porcentual de tucanos eleitos, que foi de 12,5% em 2012, deve passar para quase 15% neste ano. O número de eleitores que serão governados pelo partido terá um salto, principalmente por causa da vitória de João Doria em São Paulo, maior cidade do País.

RETRAÇÃO

O PSB, que foi a principal estrela do primeiro turno de 2012, ao conquistar 120 prefeituras a mais do que nas eleições de quatro anos antes, agora deve ter um leve recuo. Até as 21h30, havia 378 eleitos do PSB, menos do que os 440 da disputa de 2012.

O PRB, que em determinado momento chegou a liderar as pesquisas em São Paulo e no Rio de Janeiro, os dois maiores colégios eleitorais do País, deve crescer em relação ao resultado de 2012, quando elegeu 80 prefeitos. O resultado parcial de 2016, até as 21h30, indicava pelo menos 92 vitórias.

Entre os partidos que conseguiram eleger ao menos um candidato, o PSOL foi o que conseguiu ganhar em um menor número de cidades. Foram apenas 2 prefeituras conquistadas, mas esse número poderá ainda subir pois o partido disputará o segundo turno em duas capitais: Rio de Janeiro e Belém.

Em segundo lugar entre os nanicos, está o PMB, partido recém-criado e que conseguiu vencer em 3 cidades. Em seguida, vêm PPL com 4 prefeituras conquistadas, e depois Rede, com 5 cidades.

*Daniel Bramatti, José Roberto de Toledo, Rodrigo Burgarelli, Guilherme Duarte e Fabiana Cambricoli

Encontrou algum erro? Entre em contato

Eleições municipais têm a maior dispersão partidária da história

Número de partidos que saíram vencedores em ao menos uma cidade nas eleições deste ano pode ainda aumentar

Daniel Bramatti, José Roberto de Toledo, Rodrigo Burgarelli, Guilherme Duarte e Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

03 Outubro 2016 | 05h00

Dados preliminares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que 31 partidos vão comandar ao menos uma cidade a partir do ano que vem. É a maior dispersão partidária no comando dos Executivos municipais da história, ao menos na quantidade de siglas diferentes no controle das prefeituras. Em 2012, eram 26. 

O número de partidos que saíram vencedores em ao menos uma cidade nas eleições deste ano pode ainda aumentar, já que, até o fechamento desta reportagem, às 23h30 de ontem, o TSE havia terminado a apuração em 5.426 municípios, além dos 55 que vão disputar ainda mais um turno. Faltam, portanto, 87 cidades, e o número de siglas poderia ainda aumentar. Candidatos de 35 partidos diferentes concorreram ao cargo de prefeito neste ano.

A série histórica do TSE mostra que houve um crescimento quase constante no número de siglas dividindo a gestão dos municípios brasileiros desde 1996, primeiro ano em que há dados em formato eletrônico. Naquele ano, 22 partidos conseguiram eleger ao menos um candidato a prefeito. O número subiu para 25 nas eleições municipais seguintes e, apesar de ter registrado leve queda em 2004 e 2008, cresceu para 26 em 2012 e, agora, para 31.

Fragmentação. Outras medidas de dispersão também apontam para um aumento da fragmentação partidária no controle das administrações municipais. Uma delas é o índice de Gini - medida usada internacionalmente para medir desigualdade de renda, mas que pode ser utilizada para calcular a concentração de qualquer variável. 

O Estadão Dados calculou esse índice para todas as eleições municipais, usando como referência o número de prefeituras que cada partido conquistou em cada pleito. De acordo com esse cálculo, a eleição de 2016 foi a mais dispersa da história, com índice de 0.68 - ele seria zero se cada partido ganhasse um número igual de prefeituras e 1 se apenas um partido ganhasse todas, o que significaria concentração total. Em 1996, esse índice foi de 0.81.

Grande parte dessa variação não se deve aos partidos que estão no topo do ranking dos que elegeram mais candidatos, mas sim aos da parte de baixo. Em outras palavras: o aumento da dispersão partidária se deu especialmente porque mais partidos pequenos venceram as eleições municipais, e não porque houve uma queda na proporção de cidades governadas pelos maiores.

Maiores. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que os cinco partidos com o maior número de prefeitos eleitos neste ano controlava uma proporção similar de cidades após as eleições de 2012: 60%. No entanto, os quinze partidos menores venceram 4,9% das prefeituras em 2016 - a metade do que os quinze menores haviam ganhado em 2012.

Essas duas medidas, porém, já foram bem menos dispersas no início da série histórica do TSE. Em 1996, os cinco maiores partidos foram vencedores de praticamente quatro em cada cinco cidades. E os quinze menores conquistaram cerca de 11% das prefeituras.

Mais conteúdo sobre:
Tribunal Superior Eleitoral TSE

Encontrou algum erro? Entre em contato

0 Comentários

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.