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PSB e Rede enfrentam 'nó programático' na energia

ISADORA PERON - O Estado de S.Paulo

09 Março 2014 | 02h 04

Documento inicial da aliança para eleição reflete mais as posições de Marina do que as da legenda de Campos e ignora questão das usinas nucleares

As diretrizes do programa da aliança PSB-Rede sobre a questão energética refletem mais as ideias do grupo da ex-ministra Marina Silva do que o pensamento de aliados do governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência, Eduardo Campos.

Com uma forte defesa da necessidade de ampliar a participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira, o documento provisório deixou de fora temas que costumavam ser caros ao PSB, como o investimento em energia nuclear.

No período em que esteve à frente do Ministério da Ciência e Tecnologia (2003 a 2011), o PSB fez do assunto uma bandeira. Em 2005, quando Campos comandava a pasta e Marina era ministra do Meio Ambiente, os dois chegaram a ficar em lados opostos no debate sobre a construção da usina nuclear de Angra 3. Ela era contra; ele, a favor.

Segundo o secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, o assunto não chegou a ser discutido nessa primeira etapa de construção das diretrizes. Um documento final será apresentado em junho, mas a sinalização é a de que o tema não deve ser contemplado no programa definitivo.

O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) diz que a resistência a trazer a discussão para o centro do debate pouco tem a ver com os marineiros. Ele conta que o acidente na usina nuclear da cidade japonesa de Fukushima, em 2011, fez com que a sigla repensasse sua posição. "O PSB sempre teve uma posição favorável à energia nuclear, mas, depois de Fukushima, passamos a rever nossos conceitos, já que o Brasil possui tantas alternativas."

O acidente no Japão fez Campos desistir da ideia de instalar uma usina nuclear em Pernambuco. A cidade de Itacuruba, no sertão, havia sido apontada como ideal para receber o projeto. Campos estava disposto a modificar a legislação estadual, que vedava a construção desse tipo de empreendimento no Estado.

Em fevereiro, em Porto Alegre, Marina defendeu que o Brasil tenha um projeto de país que seja colocado em prática independentemente do partido que esteja no poder. Não por acaso, citou como exemplo o caso da Alemanha que, após Fukushima, anunciou o fechamento de todas as usinas nucleares até 2022. "Não importa quem ganhar (na Alemanha), essa é uma agenda que vai ser perseguida", disse.

Discordância. Apesar do acidente nuclear no Japão, nomes importantes do PSB continuam defendendo o uso desse tipo de energia. O vice-presidente da sigla, Roberto Amaral, diz que vai trabalhar para que o tema apareça no programa de governo do partido. "A energia nuclear funciona todos os dias, com vento ou sem vento, com seca ou inundação. É a menos poluidora das fontes energéticas em escala. Por que não usá-la como coadjuvante da fonte hídrica?"

Aliado de Marina, o deputado Alfredo Sirkis (PSB-RJ) diz que hoje, mais que questões ideológicas, é o alto custo da construção de uma usina nuclear que inviabiliza o projeto. Ele cita o fato de o Plano Nacional de Energia 2030 prever a construção de quatro usinas, mas, até agora, o governo não ter tirado nenhuma do papel.

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