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Procuradoria vai investigar se filha de Dirceu furou fila de visita

Mariângela Gallucci - O Estado de S. Paulo

10 Maio 2014 | 10h 29

Ela teria chegado à Papuda em um carrro do governo do Distrito Federal, que é comandado pelo petista Agnelo Queiroz

BRASÍLIA - O Ministério Público no Distrito Federal vai abrir investigação para apurar suspeitas de que uma das filhas do ex-ministro José Dirceu furou a fila dos parentes dos detentos para visitar o pai no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília.

Joana Saragoça evitou a longa fila à qual os familiares de presos têm de se submeter, chegando à Papuda num carro do governo do Distrito Federal, que é comandado pelo petista Agnelo Queiroz, como revelado pela Folha de S. Paulo. O Ministério Público informou que as "medidas cabíveis" serão tomadas.

Em nota divulgada ontem, o governo do Distrito Federal disse que na época notícias veiculadas pela mídia tratavam de uma suposta possibilidade de José Dirceu fazer greve de fome. "A inteligência da Sesipe (Secretaria de Estado de Segurança Pública) verificou que essas 'notícias' estavam tendo repercussão no presídio, o que poderia causar uma insegurança no sistema prisional."

Por esse motivo, a inteligência da secretaria afirma que procurou a filha de Dirceu e a convidou para colaborar com a investigação. "A srta. Joana Saragoça manifestou preocupação em ir até o presídio por estar se sentindo insegura. Por isso, a inteligência da Sesipe a levou, em dia e horário de visitas, em carro descaracterizado, para que ela se encontrasse com José Dirceu", justificou o governo. Depois da visita, o governo disse que Joana relatou à inteligência da secretaria que as notícias eram inverídicas.

Perguntado sobre a visita feita pela filha de Dirceu, o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello afirmou ontem que uma prisão é "uma panela de pressão". "Penitenciária, até pela superpopulação, pelas condições desumanas, é uma panela de pressão. Gera indignação e gera revolta tratamento diferenciado. Os denominados reeducandos devem ter o mesmo tratamento", disse o ministro, ressaltando que não comentava o caso concreto.

"O tratamento em penitenciária deve ser igualitário sob pena de termos uma reação dos demais custodiados. Não cabe o tratamento presente a figura do condenado. Mas o tratamento segundo as regras estabelecidas de forma abstrata em relação a todos os presos", completou.