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Prezada Dilma, vamos falar de Petrobrás?

Tânia Monteiro / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

28 Abril 2014 | 02h 07

Após denúncias, crise na estatal entra na lista de temas das mensagens enviadas por cidadãos

A crise na Petrobrás se refletiu nas correspondências que chegam para a presidente Dilma Rousseff e ganhou destaque entre as 4.200 cartas e e-mails recebidos, em março, pelo Palácio do Planalto. Até o surgimento das denúncias envolvendo a estatal, ela aparecia genericamente nessas correspondências, segundo a Diretoria de Documentação Histórica da Presidência.

A declaração de Dilma ao Estado de que só aprovou a compra de 50% da refinaria de Pasadena por ter recebido informações "falhas" e "incompletas" despertou o interesse dos eleitores - muitos para cobrar explicações e outros para defender a presidente e definir o caso como "jogo de sucessão eleitoral".

"Por que todo este empenho em travar a CPI da Petrobrás? Há algo a esconder", questionou um baiano que diz ter sido "petista", mas "agora está a pensar". Depois de dizer que "o tapete não está aguentando com tanto lixo debaixo", ele pediu: "Vamos lavar as roupas sujas, uma de cada vez, para que os brasileiros saibam claramente quem as sujou". Neste caso, e em outros semelhantes, o Planalto manda uma resposta padrão: "Registramos o recebimento de sua mensagem. A presidente Dilma agradece seus comentários".

As correspondências sobre a Petrobrás chegam a meia centena. Um e-mail enviado de São Paulo afirma que "um governo sério faria criar uma tropa de choque para esclarecer o malfeito e punir os culpados, não para impedir a CPI". Outro paulista sugere que está na hora "de uma atitude da Dilma que elegemos". Mas há questionamentos mais radicais - como o que pergunta se "é intenção deste governo quebrar a Petrobrás" e "onde está a autossuficiência" da empresa.

'Ínfimo'. O Planalto minimizou a importância das cartas sobre Pasadena, alegando que o volume dessas cobranças "é ínfimo" no conjunto. Das 4.200 correspondências de março, 1.849 eram críticas - sobre temas como administração pública, educação, violência, saúde, transportes, cultura, meio ambiente - e 60 delas contêm citações nominais à presidente. De apoio foram 159. Outras 1.400 levavam sugestões e 1.300 faziam pedidos. A soma ultrapassa as 4.200 correspondências porque muitas juntam apoio, pedidos e críticas. São Paulo é o Estado que mais escreve (cerca de 30% do total), seguido de Rio e Minas. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebia, em média, de 30% a 40% mais cartas que a presidente.

Há quem escreva para se oferecer como cabo eleitoral, ou para pedir uma casa ou uma bolsa. Um eleitor do Maranhão pediu ajuda para receber logo a devolução do imposto de renda "em razão de doença cardíaca grave".

A questão da violência aparece em alta escala. Em tom de desabafo, uma mineira avisou: "Não precisamos de Copa, pré-sal ou novos aviões de caça. Queremos o direito de viver simplesmente pobres, porém voltando todo dia para casa sem sermos assaltados ou mortos por um celular ou um anel".

A presidente não costuma ler diretamente as cartas mas dedica o tempo, em voos de volta de alguma viagem pelo País, a recados que foram entregues a seus auxiliares, em palanques de eventos.

Para escrever à presidente, via e-mail, há um formulário na página da Presidência da República na internet.

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