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Presidente do PT diz que Lula volta após reeleição de Dilma

RICARDO GALHARDO - O Estado de S.Paulo

08 Março 2014 | 02h 06

Segundo Rui Falcão, vitória agora ajuda ex-presidente a disputar mais uma eleição ao Planalto em 2018

Em meio ao clamor de setores governistas pelo "volta Lula" e queixas dos aliados à presidente Dilma Rousseff, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, defendeu que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva volte a se candidatar ao Palácio do Planalto em 2018.

"Temos que reeleger a Dilma para que o Lula volte em 2018", disse Falcão, ontem, durante café da manhã promovido pela agência espanhola de notícias EFE do qual participaram jornalistas brasileiros, estrangeiros e empresários espanhóis.

Segundo ele, Lula dá respostas dúbias sobre a possibilidade de voltar a ser candidato. Quando quer dizer que não, o ex-presidente se compara ao ex-piloto de Fórmula 1 Michael Schumacher que ganhou sete títulos mundiais, parou e depois de voltar "não ganhou mais nem uma pole position". Já quando pretende incentivar as especulações, Lula diz que "se me aborrecerem muito eu volto".

Estratégia. Seguindo à risca a estratégia definida em reunião com Dilma e Lula na Quarta-feira de Cinzas, Falcão voltou a alfinetar os setores do PMDB que ameaçam romper a aliança com o governo. Sem ser provocado nem citar nomes, o presidente do PT disse que o projeto de lei que define o marco civil da internet só não foi votado porque é barrado pelo "líder de um partido que integra o governo mas tem se comportado como oposição" e acusou aliados de travarem o trabalho no Congresso por causa da disputa de espaços no ministério.

As declarações foram interpretadas como referências ao líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), principal defensor do rompimento da aliança.

Apesar das ameaças, Falcão afirmou que o PT não vai ceder às pressões do PMDB por mais espaço e reafirmou a disposição de manter a candidatura do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) ao governo do Rio de Janeiro contra a vontade do governador Sérgio Cabral (PMDB).

Apesar dos atritos, o presidente do PT disse estar otimista quanto à manutenção da aliança com o PMDB e elogiou o vice-presidente, Michel Temer, a quem chamou de "leal".

Outro alvo dos ataques de Falcão foi o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. "Como político, acho que ele é um bom magistrado e, como magistrado, acho que ele é um bom político".

O dirigente comemorou a decisão do Supremo que absolveu os petistas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares do crime de formação de quadrilha no processo do mensalão. "Agora não vão poder dizer que o PT é partido de quadrilheiros."

Um dos principais defensores da criação de um marco regulatório para a mídia, Falcão incluiu o tema entre as prioridades do partido em um eventual segundo mandato de Dilma ao lado das reformas política, tributária e trabalhista. O dirigente petista defendeu a aprovação de uma lei complementar que impeça políticos de possuírem meios de comunicação. Segundo Falcão, para evitar rupturas bruscas, o PT defende um prazo de transição no qual os políticos poderiam optar entre disputar cargos eletivos ou comandar empresas de mídia.

Questionado sobre as relação entre governo e mídia em outros países do continente, o petista disse que "a realidade da Venezuela não tem a ver com a brasileira". Falcão citou suspeitas de que meios de comunicação incentivem tentativas de golpe de Estado, mas concluiu afirmando que "nada justifica proibir a circulação de meios".

Ele revelou que uma comitiva do PT deve ir ao encontro do presidente venezuelano Nicolás Maduro na semana que vem.

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