PSL/Divulgação
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Bolsonaro vai para o PSL e liberais abandonam sigla

Deputado fluminense assina um termo de compromisso para disputar o Planalto pela legenda; Livres, grupo que reconstruía o partido, critica a negociação

Gilberto Amendola e José Fucs, O Estado de S.Paulo

05 Janeiro 2018 | 18h17

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e o presidente do PSL, o também deputado federal Luciano Bivar (PE), fecharam um acordo nesta sexta-feira, 5, para lançar o parlamentar fluminense à disputa do Palácio do Planalto na eleição deste ano. Após a assinatura do termo de compromisso com o segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, o movimento Livres, que há quase dois anos estava na linha de frente da reconstrução do PSL, anunciou a saída da legenda – até mesmo com a adesão do próprio filho de Luciano, Sérgio Bivar.

O presidente do PEN-Patriota, Adilson Barroso, que já havia apresentado Bolsonaro como seu candidato à Presidência, disse que “desfigurou o próprio partido em nome de Bolsonaro e que até agora não recebeu nenhum telefonema como sinal de consideração”. No fim de novembro, diante de rumores de negociação com outras siglas, Bolsonaro havia assinado uma ficha de pré-filiação ao PEN-Patriota datada para março.

Ao fim da reunião desta sexta-feira, no Recife, Luciano e Bolsonaro assinaram nota conjunta na qual afirmam que o futuro do País está “no pensamento econômico liberal, sem viés ideológico, no soberano direito à propriedade privada e na valorização das Forças Armadas e da segurança”. “Existem mais semelhanças do que diferenças entre Bolsonaro e o nosso pensamento liberal. É um orgulho tê-lo ao nosso lado”, disse Luciano ao Estado.

O termo, por ora, não prevê mudança do nome do partido ou alteração estatutária. O tempo de TV também não teria sido uma questão, uma vez que, como o PEN-Patriota, o PSL deverá ter menos de 20 segundos.

Em vídeo divulgado no Facebook nesta sexta-feira, Bolsonaro disse que a parceria com o PSL é “natural e programática” e citou a simplificação e a diminuição da carga tributária como bandeiras comuns. “(Com o PSL) Não tem Fundo Partidário, não tem tempo de TV, mas tem o povo”, afirmou o presidenciável.

Assim que Luciano e Bolsonaro selaram o acordo, Sérgio, dirigente do Livres, distribuiu internamente nota para lamentar a decisão do pai e atacar Bolsonaro. “Bolsonaro é como Lula, um candidato antissistema, carismático, com ares messiânicos de justiceiro, dotado de uma visão estatista e autoritária, que surfa na demagogia”, escreveu.

O dirigente levantou dúvidas sobre Bolsonaro ter se tornado, de fato, um liberal: “Ainda que ele venha sendo assessorado por liberais no campo econômico, não acho que tenha convicções sobre a matéria, o que faria seu possível governo imprevisível. Da minha parte, posso garantir que defendi a bandeira e os interesses do Livres até onde me foi permitido”. Sérgio informou sua desfiliação. 

Luciano, por sua vez, disse ao Estado que o filho e outros integrantes do Livres “teriam discernimento para não contrariar um projeto maior para o bem do País”. A filiação de Bolsonaro está prevista para março.

Debandada. Outros integrantes do Livres também anunciaram, em nota, a saída em massa do partido. “A chegada de Jair Bolsonaro, negociada à revelia dos nossos acordos, é incompatível com o projeto do Livres de construir no Brasil uma força partidária moderna, transparente e limpa”, escreveram. “Recusamos a reciclagem do passado. Não vamos arrendar nosso projeto à velha política de aluguel.”

A partir de agora, o Livres deve seguir os passos dos chamados movimentos cívicos, como o Agora! e o Acredito, e procurar outras legendas para o lançamento de candidaturas independentes ao Legislativo.

Segundo Luciano, no PSL, não houve acordo fisiológico e a entrada de Bolsonaro foi natural, “pois ele também comunga de posições liberais”. Ele também negou que tenha sido convidado para ser vice na chapa.

‘Traição’. A ida de Bolsonaro ao PSL põe fim ao cabo de guerra entre os principais conselheiros da candidatura do parlamentar. O grupo de Bolsonaro que já estava ocupando espaços na direção do PEN-Patriota defendia o cumprimento da pré-filiação. Esses conselheiros, que têm o secretário nacional do PEN-Patriota, Bernardo Santoro, como principal força, acreditam que a narrativa da “traição” pode ser associada a Bolsonaro. 

O outro grupo, que tem o advogado e assessor Gustavo Bebianno na linha de frente, já havia descartado a sigla por “quebra de confiança”.

Confira a carta na íntegra:

O Presidente Nacional do partido Social Liberal/PSL, Luciano Bivar, e o Deputado Federal Jair Bolsonaro, comunicam aos órgãos de imprensa é a toda sociedade que estão juntos em defesa do projeto que irá mudar o Brasil a partir do próximo ano. 

É com muito orgulho que o PSL recebe o deputado Jair Bolsonaro e sua pré-candidatura a Presidência da República. Outrossim, é com muita honra que o deputado se sente abrigado pela legenda, e muito à vontade em um partido onde existe total cominhão de pensamentos.

Tanto para o presidente Luciano Bivar, quanto para o Deputado Jair Messias Bolsonaro, são prioridades para o futuro do País, o pensamento econômico liberal, sem qualquer viés ideológico, assim como, o soberano direito a propriedade privada e a valorização das forças armadas e de segurança. Ambos comumgam também da necessidade de perservar as instiuiçõies, proteger o Estado de Direito em sua plenitude e defender os valores e princípios éticos e morais da família brasileira.

Desta forma, e em consonância com os anseios da maioria dos brasileiros, serão um só, a partir de agora, os objetivos do Partido Social Liberal e os desejos de mudança do Deputado Jair Bolsonaro.

O Brasil acima de tudo, Deus acima de todos!

Recife, 05 de janeiro de 2018

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