Presidente da Câmara perde a disputa no Rio Grande do Norte

Presidente da Câmara perde a disputa no Rio Grande do Norte

Robinson Faria, atual vice-governador do Estado, venceu Henrique Eduardo Alves, aliado do governo federal

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2014 | 19h42

NATAL - O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), de 65 anos, perdeu a disputa do governo do Rio Grande do Norte para o atual vice-governador, Robinson Faria (PSD), 55 anos, que recebeu 54,42% dos votos válidos.

Há 44 anos ocupando cargos eletivos e aliado fundamental do governo federal desde a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), Alves montou uma coligação com 17 partidos, contou com o apoio da maioria dos deputados, prefeitos e vereadores do Estado e conseguiu até mesmo unir duas famílias historicamente adversárias que comandaram o governo potiguar por mais de 50 anos: bacuraus (Alves) e araras (Maia).

A estratégia deu certo no primeiro turno: ele venceu em 5 de outubro com vantagem de cinco pontos porcentuais (47% a 42%), mas perdeu o favoritismo no segundo turno para Faria. 

O candidato do PSD contou com o apoio do PT para levar a eleição para a segunda etapa. Lula gravou um vídeo de oito minutos de apoio a Faria, o que irritou Alves e a cúpula do PMDB. Alves recorreu ao vice-presidente Michel Temer, que nem de perto tem o mesmo prestígio de Lula no Nordeste. 

A vitória de Robinson faz com que os Faria assumam pela primeira vez o governo potiguar, realizando um sonho de família - seu pai, Osmundo Faria, chegou a ser convidado pelo então ministro do Exército, general Dale Coutinho, para ser governador em 1974. Mas Coutinho morreu de ataque cardíaco antes de indicá-lo oficialmente.

A estratégia da campanha de Faria foi apresentá-lo como a “política nova”, embora tenha cumprido seis mandatos como deputado estadual. Também tentou desvincular sua imagem da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), de quem é vice. A gestão de Rosalba é desaprovada por mais de 80% da população.

Faria diz que terá dificuldade de governar com pouco apoio na Assembleia. “Acho que terei uma chance muito boa de fazer uma grande pactuação entre os poderes Legislativo e Executivo. O Ministério Público se dá muito bem comigo”, afirmou. 

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