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Presidenciável tenta garantir 'patrimônio'

O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2014 | 02h 10

CENÁRIO: Eduardo Kattah

Ao anunciar, em dezembro de 2009, que desistia de brigar pela indicação como presidenciável do PSDB na eleição do ano seguinte, o então governador Aécio Neves alegou, entre outros motivos, que não podia descuidar da sucessão em Minas. Aécio levou até quando foi possível a polarização interna com José Serra, e só deixou o caminho aberto para o paulista quando já não era mais possível insistir na postulação.

Quatro anos depois, quando se prepara para carregar oficialmente o bastão de candidato tucano na disputa pelo Palácio do Planalto, ele sabe que ainda não pode se descuidar de Minas. Ao definir como candidato à sucessão de Antonio Anastasia um correligionário de sua estrita confiança, o atual senador e presidente nacional do PSDB mostra que não está disposto a colocar em risco o patrimônio eleitoral e político conquistado no segundo maior colégio eleitoral do País.

Aécio costuma repetir que a Presidência não é uma obsessão em sua vida. Mas se tornou um projeto após ele assumir, em 2003, o Palácio da Liberdade, antiga sede do governo mineiro. Projeto que desde então vem sendo levado com persistência e cálculo.

O PSDB reconhece que vai enfrentar um forte adversário na eleição regional - o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel será o candidato petista na disputa estadual. Além de ter Lula e a presidente Dilma em seu palanque, Pimentel poderá lembrar na campanha que foi aliado de Aécio na eleição municipal de 2008. Naturalmente importante por abrigar 15 milhões de eleitores, a eleição no Estado é considerada estratégica pelo PT. A sigla acredita que poderá "entrincheirar" o presidenciável tucano na sua base eleitoral. Faz parte dessa estratégia a entrada na política do empresário Josué Gomes, filho do ex-presidente José Alencar.

Mesmo se perder a eleição presidencial, Aécio terá mais quatro anos de mandato como senador. Difícil será mensurar o prejuízo de uma eventual derrota em Minas.

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