Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Presidenciáveis divergem sobre reforma trabalhista em ato da Força Sindical

Enquanto Aldo Rebelo e Manuela D'Ávila criticaram a perda de direitos, Rabello de Castro seguiu a linha de que a recessão econômica foi a grande vilã dos trabalhadores

Paula Reverbel, O Estado de S.Paulo

01 Maio 2018 | 14h57

SÃO PAULO - A comemoração do 1º de maio da Força Sindical em São Paulo deu espaço para três presidenciáveis de diferentes posições do espectro político: Aldo Rebelo - do Solidariedade, partido que nasceu a partir da Força Sindical e integra a base do governo Michel Temer -, Manuela D'Ávila (PCdoB, de oposição) e Paulo Rabello de Castro (que deixou a presidência do BNDES para disputar o Planalto pelo PSC). 

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Enquanto Aldo e Manuela criticaram a reforma trabalhista por causa da perda de direitos, Rabello de Castro seguiu a linha de que a recessão econômica foi a grande vilã dos trabalhadores. 

"Eu sou professor de economia do trabalho, formado pelos maiores professores da Universidade de Chicago. Hoje é a recessão que faz o desemprego a perda do direito. A precarização realizada por essa meia reforma, essa meia sola, ela apenas acentuou as características da recessão", disse o ex-presidente do BNDES ao Estado

Ele adotou uma posição crítica ao governo do Temer. Os último dados de diminuição, até acentuada, da carteira de trabalho assinada, você verifica o quanto que houve uma precarização da relação.

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A gente saiu de uma realidade complexa que é o contrato de trabalho dos anos 1940 e fomos para uma relação de precariedade sem pensar um minuto nas consequências do que podia acontecer. Que é bem a cara do governo que eu conheci", acrescentou. 

Perguntado se acreditava que a perda de direitos trabalhistas contribui para a recessão, Rabello de Castro disse que não tinha relação. "Direito trabalhista é a moldura de uma relação sadia de trabalho. Não existe direito trabalhista em uma moldura sem quadro. Agora não temos o quadro, porque o quadro não é de emprego, é de desemprego", argumentou.

A visão do presidenciável é oposta da maioria dos presentes no evento. Aldo Rebelo afirmou que a defesa dos direitos sociais é uma questão de princípios para sua legenda. "Mas o Solidariedade é um partido aberto, conversa com todo mundo", afirmou. 

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Perguntado se sua legenda vai passar a fazer oposição ao governo por conta da reforma trabalhista, o presidenciável respondeu que não, mas que a relação com o Planalto é de conflito. "O Solidariedade tem sido muito crítico ao governo. Foi crítico na questão trabalhista, foi crítico na questão da previdência, foi crítico na questão sindical, na reforma sindical. Então a relação com o governo tem sido também uma relação de conflito", concluiu.

Única presidenciável de oposição presente, Manuela disse que há um esforço para que o 1º de Maio desse ano seja mais politizado que os anteriores devido à reforma trabalhista e à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Ele é o primeiro operário presidente do Brasil. Isso aumenta a responsabilidade para que os atos sejam mais politizados", disse ao Estadão, a caminho do ato da CUT. 

Ela e Aldo Rebelo também vão participar da celebração unificada da CUT e da Força Sindical em Curitiba. A organização da festa da Força Sindical disse que a presença de outro candidato ao Planalto, Ciro Gomes (PDT), era esperada, mas ele não compareceu. Procurada, sua assessoria de imprensa afirmou que ele cumpre agenda fechada e que nunca confirmou sua participação no ato.

O governador e candidato à reeleição Márcio França (PSB) cancelou sua presença devido ao incêndio no centro de São Paulo. Pelo mesmo motivo, o prefeito o Bruno Covas (PSDB) deixou o evento antes de subir no palco. O pré-candidato do MDB ao governo paulista Paulo Skaf também era esperado, mas não foi.

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