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'Pimentel é cacique, preciso dele', diz Kalil

Projeto político do prefeito eleito de Belo Horizonte inclui governador mineiro e exclui Aécio Neves

Leonardo Augusto, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2016 | 05h00

BELO HORIZONTE - O prefeito eleito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), diz negar a política, mas, desde que saiu vitorioso nas urnas não faz outra coisa. “Só hoje (segunda-feira, 7), falei com 30 vereadores”, afirmou, quando questionado sobre seu futuro relacionamento com o Legislativo municipal.

A exemplo do que indicou na primeira entrevista após ser eleito, Kalil tem deixado claro de que lado está na política mineira – mais próximo do grupo do governador Fernando Pimentel (PT) e distante do senador e ex-governador Aécio Neves (PSDB). 

Questionado sobre Aécio, Kalil recorre ao seu estilo contundente, sem freios nas palavras. “Não adianta quererem que eu vá lá lamber o saco de Aécio que não vou. Aécio para mim não tem a menor importância. Tratam Aécio como se fosse Deus”, afirmou o prefeito eleito ao Estado

O senador, apesar de ter aparecido raras vezes na campanha de João Leite (PSDB), depositou seu capital político na campanha derrotada. Kalil não quis comentar o vídeo postado nas redes sociais pouco antes do segundo turno cujo conteúdo sugere ameaças. Ele chama Aécio de “príncipe” e diz que é preciso “cuidado que o príncipe vai para a gaiola”. 

O prefeito eleito não quis, por exemplo, explicar quem é “Bidu”, citado no vídeo. “Ele (Aécio) sabe quem é”, disse, evitando outros comentários. “O que está no vídeo está lá. É ver e tirar as conclusões”, acrescentou.

Do time. Kalil não tem a mesma restrição no que se refere a outro líder da política mineira, o governador petista Fernando Pimentel. “Esse é cacique. Preciso dele.” Na campanha, João Leite afirmava que Pimentel tinha como candidato, na verdade, Kalil, e não o deputado federal Reginaldo Lopes (PT), que ficou em quarto lugar na disputa. Procurada, a assessoria de Aécio não respondeu. 

Sobre a arte de governar, o prefeito eleito de Belo Horizonte, que presidiu o Atlético-MG, afirma não haver diferença entre comandar um time de futebol e uma prefeitura. “Existem 500 municípios menores que o Atlético em Minas. Administrar é uma coisa só. Enxugar é canalizar recursos para onde precisa”, disse.

‘Realidade’. Não é bem o que pensa o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), que tem posição bem clara sobre seu futuro sucessor. “Kalil é político até a raiz dos cabelos. Já foi candidato a deputado e desistiu. Está filiado no terceiro partido, parece. Ele fez uma campanha estilo Trump de ‘está tudo errado, nada presta’. Agora ele vai se confrontar com a realidade. E já está dizendo que não fez promessa nenhuma. Vamos ver como vai ser. Costumo dizer que ou ele vai fazer um excelente gestão ou vai ser cassado antes dos primeiros 12 meses. Eu prefiro apostar na primeira hipótese”, disse. Em 2014, Kalil se filiou ao PSB. Anunciou candidatura a deputado federal, mas acabou desistindo da disputa.

A comissão de transição utiliza atualmente um espaço dentro da empresa pública de transporte da cidade, a BHTrans, que terá sua “caixa-preta aberta”, segundo Kalil. / COLABOROU VALMAR HUPSEL FILHO

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