1. Usuário
Assine o Estadão
assine
Eleições 2014

PF suspeita que empresas fantasmas pagaram dívida de jato usado por Campos

Ricardo Brandt - O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2014 | 22h 38

Seis fontes pagadoras, sem lastro financeiro e endereço, custearam débito de R$ 1,7 milhão para a compra do Cessna

Empresas com endereços fantasmas e sem lastro financeiro custearam o pagamento de uma dívida de R$ 1,7 milhão para a compra do Cessna Citation usado pelo ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos. No dia 13 de agosto, a aeronave caiu em Santos, no litoral paulista, mantando, além de Campos, candidato à Presidência da República pelo PSB, outras seis pessoas.

São seis fontes pagadoras que fizeram transferências bancárias para a AF Andrade - dona da aeronave nos registros da Agência Nacional de Aviação Civil. Elas teriam assinado contratos de empréstimo para o empresário João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho, que afirmou ontem ser o comprador do jato.

Os empréstimos para pagamento, segundo ele, foram feitos em troca do uso do jato, antes da compra ser efetivada e aprovada. “Os valores recebidos foram para pagar parcelas vencidas do leasing do avião (...) para permitir que a Cessna, financiadora da aeronave, agilizasse a operação de venda”, afirmou o empresário.

Sete pessoas morreram no acidente que matou Eduardo Campos
Sete pessoas morreram no acidente que matou Eduardo Campos

As suspeitas da Polícia Federal são de que João Carlos Lyra, junto com os empresários Apolo Santana Vieira - dono de outro jato usado por Campos antes da campanha - e Eduardo Freire Bezerra Leite foram usados para ocultar a compra da aeronave, no valor de US$ 8, 5 milhões, com dinheiro de caixa 2 da campanha. Caso o ilícito se confirme, novas investigações serão abertas à partir do “inquérito mãe”, sobre a queda.

A PF já tem em mãos a lista dos depósitos e sabe que algumas das fontes pagadoras são firmas que não existem no endereço declarado. Uma delas é a Geovane Pescados, na periferia de Recife. Outra é a Vasconcelos & Câmara, que depositou R$ 159 mil.

Outra empresa envolvida que não funciona no endereço de registro em Pernambuco é a RM Construções.

João Carlos Lyra é enteado do ex-senador e ex-deputado federal por Pernambuco Luiz Piauhylino Monteiro (PSB), aliado de Eduardo Campos. Ele mesmo fez um depósito de R$ 195 mil.

Além do enteado, o filho do ex-parlamentar aparece entre os financiadores do jato. Luiz Piauhylino Monteiro Filho divulgou nota ontem informando ter emprestado a João Carlos Lyra R$ 325 mil. Pelo contrato assinado entre eles, o dinheiro foi transferido no dia 14 de maio para a AF Andrade. 

A outra empresa financiadora foi a Ele Leite Negócios Imobiliários Ltda. - cujo nome ainda não havia sido citado na compra do jato. Ela declarou ontem ter emprestado R$ 727,7 mil a João Carlos. O dinheiro foi transferido diretamente no dia 15 de maio para a A.F. Andrade. 

A Leite Imobiliária é uma micro empresa que pertence a Eduardo Bezerra. Em foto divulgada pelo Estado, no sábado, ele aparece com outros dois empresários de Pernambuco buscando o jato em Ribeirão Preto (SP). 

Eleições 2014